As
entidades devem fazer serviço que cabe
à Prefeitura?
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FÓRUM
DE MONTE VERDE / CAMANDUCAIA EM 17 DE FEVEREIRO
DE 2005
De:
Roberto Nogueira Sampaio
Cidade:
Monte Verde - Estado -MG - País: Brasil
Para: Fórum Monte Verde / Camanducaia
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Senhor
Egydio, sobre essa discussão de quem vai fazer "o
que" com o portal quero, respeitosamente, fazer uma
crítica: Se a AHPMV e a ACMV tivessem um fulcro de
ação social, estrada e ruas, entre outras coisas,
em Monte Verde, não estariam no estado em que se encontram.
Que força política têm essas entidades? Será que é
porque seus componentes esqueceram de "dar a Cesar
o que é de Cesar"?
Caro Roberto,
De certa forma, você tem alguma razão, pois, a muitas
pessoas de Monte Verde parece que as entidades fugiram
à sua finalidade.
Não se pode esquecer que as diretorias executivas
das entidades deveriam se preocupar somente com o
interesse de seus associados, já que lhes são delegados
poderes
para defender somente seus associados
e não a cidade inteira.
Infelizmente, porém, a cobrança em cima dessas entidades
é muito forte e desproporcional já que seu presidente
não é prefeito, para cuidar de ruas e de estradas,
nem é governador para cuidar da segurança, nem presidente
da República para repassar verba para a saúde.
Fui presidente da Associação Comercial de Monte Verde,
antes de conseguirmos a verba da Turminas para instalar
o Portal.
Naquele tempo, eu reunia os empresários e enviamos
circular aos órgãos de imprensa, especializados em
turismo, falando de Monte Verde. E fazíamos também
ofício à Prefeitura de Camanducaia e demais autoridades
reclamando da falta de atenção a Monte Verde. Eu era
feliz e sabia disso, porque cumpria apenas a minha
obrigação.
Quando se instalou o Portal, fui "avisado" pelo Antônio
Macedo, então presidente da Sociedade Amigos de Monte
Verde, que deveria assumir o Portal e ali dar informações
turísticas.
Aí surgiu um problema: a consciência de que tinha
que prestar informações a todos os turistas e não
apenas desenvolver trabalho exclusivamente aos nossos
associados.
Embora recebesse muita crítica por isso, acho que
a maioria dos associados sempre concordou com este
procedimento. Outros presidentes da Acmv entenderam
diferente, por filosofia ou por pressão da população
totalmente abandonada pelos poderes públicos.
Dalton Osterne, por exemplo, quando presidente da
Acmv, se sacrificou muito e conseguiu pavimentar a
Avenida Monte Verde e, infelizmente, pouca gente reconhece
esse trabalho.
Roberto de Lucas também se dedicou em arrumar dinheiro
para comprar viatura para a Polícia, em contratar
pessoa para varrer e limpar a Avenida Monte Verde.
E mais ainda: empenhou-se num gigantesco trabalho
para conseguir contribuição para construir um quartel
para a Polícia Militar na entrada de Monte Verde.
Embora tenha recebido muitos elogios pela sua atitude,
não há, porém, o reconhecimento, que mereceu, por
tentar cumprir uma obrigação, que a Prefeitura de
Camanducaia não vinha fazendo. Nem teve reconhecimento
pela sua luta para dar mais segurança a Monte Verde,
que é uma obrigação do Estado de Minas Gerais, que,
vergonhosamente, não faz investimento nenhum em Monte
Verde, uma cidade turística, que traz muitos paulistas
para Minas Gerais.
Acho que agora, ao não termos mais obrigação, de cuidar
do Portal, haveremos de achar um caminho para cumprir
apenas a nossa obrigação: representar os empresários
de Monte Verde e ter a responsabilidade específica
de atender aos sócios da Acmv. E o interesse dos empresários
é, com certeza, cobrança efetiva dos serviços, que
os poderes públicos não têm prestado a Monte Verde.
Quanto à discussão sobre que comerciante e prestador
de serviço devem ser colocados à disposição dos turistas,
como melhor opção, entendo que ambas as respectivas
diretorias da Acmv e Ahpmv estão cumprindo seu papel,
pois a elas cabe a obrigação ética e estatutária de
se preocupar com o interesse de seus associados.
Quanto a dar a César (Prefeitura), o que seria dela,
é correto do ponto de vista jurídico. Não é correto
do ponto de vista moral.
O Portal foi pleiteado, construído e instalado pelas
entidades de Monte Verde. E agora quem não fez, toma.
A Acmv o administra sem custo para a Prefeitura e
cobra taxa apenas de quem leva alguma vantagem direta
econômica nos serviços ali prestados. Agora muitos
empresários sonham (a expressão é correta) que vão
ter vantagem econômica direta de graça, paga pelo
povo em geral, já que o dinheiro público é que custeará
as despesas do Portal.
Há muita coisa a fazer em Monte Verde, onde o dinheiro
público seria mais bem aplicado e não haveria necessidade
de se mexer em coisa, que está funcionando.
Abraços e grato pela sua participação. Egydio Coelho
da Silva.
FÓRUM
DE MONTE VERDE / CAMANDUCAIA EM 22 DE FEVEREIRO DE
2005
De:
Walter Cunha Monacci
Cidade:
São Paulo - Estado -SP - País: Brasil
Para: Fórum Monte Verde / Camanducaia
Sr.
Egydio,
Com a devida venia, gostaria de observar, acrescentando
ao apropriado e oportuno pensamento manifestado pelo
Munícipe Roberto Nogueira Sampaio, que continuamos
achando (eu e um monte de gente mais), que a Prefeitura
não deveriar onerar os cofres públicos
com a questão do Portal de Monte Verde.
Embora o serviço de prestação
de informações aos turistas seja de
inquestionável importância, a meu ver
a saúde, educação, saneamento
básico, conservação de vias e
logradouros públicos, são infinitamente
mais relevantes do que a prestação de
informação aos turistas.
A tendência, ademais, ao que se sabe, são
as parcerias com as entidades privadas, o que bem
poderia ocorrer no caso da prestação
de informações no Portal.
É bem conhecido que esta questão do
Portal é cercada de interesses, inclusive conflitantes,
entre as diversas Associações que coexistem
em Monte Verde. Nada, porém, que a mão
firme do Prefeito Municipal não possa e não
deva resolver.
Uma das sugestões seria a Municipalidade ceder
o equipamento público em referência em
"Permissão de Uso".
A Prefeitura de S. Paulo cede, em Permissão
de Uso onerosa, diversos equipamentos públicos.
Os "box" dos Mercados Municipais são
utilizados por empresas particulares através
de (concorrência pública e) Contratos
de Permissão de Uso. Existem até lojas
de supermercado (COMPRE-BEM (Grupo Pão de Açucar)
do Mercado de Pirituba, PÃO DE AÇUCAR
da Praça Roosevelt, etc.) que ocupam espaços
municipais e pagam, e bem, por isto.
Do contrário, a Prefeitura de Camanducaia só
vai gastar dinheiro, e muito. Ademais, prestará
serviços que, por melhor que forem, serão
sempre objeto de críticas.
Como homem público sensato que o nosso Prefeito
já demonstrou ser, gostaria de sugerir-lhe
esta solução. Concorrência Pública
e Permissão de Uso onerosa.
Ou, se entender que a atividade a ser exercida no
Portal não visará lucro e, assim, não
comporta um contrato oneroso, poderá a Prefeitura
ceder, da mesma forma, o espaço às Associações,
quem sabe por sorteio, sendo que cada uma delas ocuparia
o Portal por um determinado prazo, por exemplo de
um ano. Quem prestar o melhor serviço...
Enfim, são apenas sugestões. O que eu
(e muitas outras pessoas) acham é que um Médico
e/ou um Professor, em Monte Verde, será muito
mais útil para a população do
que o dinheiro gasto com funcionários que ficarão
no Portal.
Abraços.
Caro Walter,
Esse também é meu pensamento.
Cheguei a manter um diálogo, por email, com
o Gustavo Arrais sobre a atuação das
duas entidades, administrando o portal do lado de
informações turísticas. E de
outro lado ficaria com a Prefeitura que ela já
se havia comprometido a colocar ali um serviço
de segurança, que interessa a toda Monte Verde
e não somente aos empresários.
Infelizmente, porém, é de supor que
ele não teve o apoio da Prefeitura ou de seus
colegas de diretoria da Ahpmv. Mas continuo a optar
pela filosofia de que, conversando, a gente se entenderia.
Abraços e grato pela participação.
Egydio