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Após ler a matéria publicada em VOZ DA TERRA,
referente à pesquisa junto a cartórios de
Camanducaia, para apurar a data mais correta em que Monte
Verde nasceu como comunidade, Verner Grinberg, o fundador
da cidade, conclui que a melhor data é 29 de novembro
de 1.950, quando vendeu os dois primeiros lotes de terreno
de sua fazenda.
As duas primeiras vendas, cujas escrituras foram lavradas
em 29-11-1.950, no 2.º Tabelionato de Camanducaia,
foram feitas para Andrejs Ceruks e João Lukas. A
dúvida maior era se a fundação de Monte
Verde teria acontecido quando foi registrado o primeiro
loteamento ou quando Verner vendeu os dois primeiros lotes
em sua antiga fazenda.
O primeiro loteamento foi registrado em 10 de julho de 1.955,
que é também uma data histórica importante
do Distrito e, antes desta pesquisa, mais aprofundada, sempre
foi considerada a data mais certa.
O nome da cidade Monte Verde, conta que surgiu quando do
registro do loteamento.
O mais lógico era registrá-lo com seu nome
Verner Grinberg, mas na hora surgiu a idéia de traduzir
o sobrenome Grinberg, que quer dizer: grin, verde, e Berg,
monte. Daí o nome Monte Verde.
A informação de que doou inicialmente terrenos
para amigos e parentes ele nega. “Sempre vendi os
terrenos, vendi baratinho mas vendi”, conta, valendo-se
de sua boa memória. Esclarece que fez doação
para a construção da Escola, do Parque Florestal
e para construção da Igreja católica.
Disse que, embora professe a religião batista, entende
que deve haver tolerância religiosa.
E lhe pareceu justo ajudar a construir a igreja católica,
“porque a maioria em Monte Verde é católica”.
Corrigiu também a informação de que
tinha plantação de pinus na antiga fazenda.
“Tínhamos vacas leiteiras e produzíamos
queijos” e esclareceu que uma pequena serraria, quem
tinha era seu pai.
Conta que os parentes, amigos e conhecidos que o visitavam
em sua fazenda também se encantavam com o clima e
o lugar.
Por isso, lhe pediam que lhes vendesse um pedaço
de terra para morar ou construir uma casa de campo.
Daí foi amadurecendo a idéia de dar início
a venda de lotes e de fundar uma cidadezinha.
Por isso, decidiu começar a vender lotes para os
seus amigos e parentes e, mais tarde, para quem se interessasse.
Quando se lhe pergunta quem mais colaborou para que Monte
Verde fosse fundada, diz que sua esposa, dona Emília
Leiasmeier, contribuiu com 60% e ele com apenas 40%.
Conta que ela cuidava muito bem da fazenda, criando algumas
vacas leiteiras, produzindo queijo, plantando frutas, verduras,
legumes, etc. Além disso, preparava muito bem as
comidas da fazenda, evidentemente com base na culinária
européia, principalmente da Letônia, sua terra
natal.
E estas coisas típicas eram servidas aos visitantes
e isto ajudava as pessoas a se entusiasmar e desejar vir
morar em Monte Verde.
Sobre o fato de aeroporto de Monte Verde ter sido construído
logo no início da cidade, diz que sempre foi um apaixonado
por avião.
Diz orgulhoso que nunca sofreu um acidente e pilotou até
os oitenta anos de idade. “Nunca fiz um pequeno arranhão
na lataria do avião”.
Conta que não recebeu herança, pois meu pai
nunca foi rico e não trouxe dinheiro nenhum consigo
da Letônia.
Explica que chegou no Brasil quando ainda menino e seus
pais foram morar em Paraguaçu Paulista, na colônia
Varpa, composta por letões. A família ganhou
um pedaço de terra do Governo e seu pai montou uma
pequena serraria e vivia do que colhia no sitio e da serraria.
Quando adulto, Verner começa a trabalhar com madeira
para a construção civil. E teve sucesso e
diz orgulhoso. “Muitos edifícios e casas importantes
de São Paulo foram construídos com madeira
preparada e fornecida por mim”.
Conta que praticamente não tem disponibilidade financeira,
porque tudo que ganhou aplicou em terras.
Egydio Coelho da Silva
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