Esta
é a primeira matéria sobre a pesquisa
que VOZ DA TERRA iniciou para descobrir a data de fundação
de Monte Verde.
A data mais provável é 29 de novembro de 1.950,
quando Verner Grinberg, fundador da cidade, vendeu os dois
primeiros lotes na sua fazenda, que se localizava, onde
é hoje Monte Verde.
Como Monte Verde ainda não tem oficializada uma data
de fundação, VOZ DA TERRA decidiu iniciar
pesquisa para constatar a data mais provável, que
caracterizaria historicamente o nascimento de nossa cidade.
A pesquisa procura localizar a data em que tivesse havido
a doação ou aquisição de algum
bem imóvel, que passasse a ser de uso comum da comunidade,
como é o caminho que a maioria dos historiadores
adota para determinar o surgimento de uma cidade.
Exemplos são a cidade de São Paulo, cuja data
de fundação passou a ser quando houve a primeira
missa na igreja edificada no Pátio do Colégio
e o bairro do Bixiga, em São Paulo, cuja data de
fundação foi o lançamento da pedra
fundamental de um hospital, que, aliás, jamais veio
a ser construído.
Mas a data de fundação de Monte Verde talvez
deva ser pesquisada, seguindo outro caminho.
Verner Grinberg, fundador da cidade, costuma dizer que nossa
cidade teria começado a nascer, quando ele resolveu
convidar seus amigos e conterrâneos letões
para se mudar para sua fazenda, que se localizava onde é
hoje Monte Verde.
Isto aconteceu provavelmente em 1.950. Para alguns, Verner
praticamente doou terrenos, para outros, que podiam pagar,
teria vendido.
Não se pode considerar o nascimento de Monte Verde
a data de 27-12-1.937, quando Verner Grinberg (qualificado
na escritura como industrial, domiciliado em Quatá-SP) adquiriu
os primeiros cinco alqueires de José Cândido
Pereira.
Nem 04-06-1.938, quando adquiriu de José Gomes Fidêncio,
mais 56 alqueires, nem mesmo 31-08-1.942, quando, junto
com Arvido Leiasmeier, adquiriu mais 36,5 alqueires.
Pois, até aqui se constatava apenas a existência
de uma fazenda, com produção apenas para subsistência
familiar e talvez algum outro fator econômico, como
a plantação de pinus e serraria.
Com certeza, a pesquisa deve se ater ao momento em que Verner
começou a vender ou doar parte de suas terras a conterrâneos
seus que também professavam sua religião,
a Batista.
Os dois primeiros terrenos, de dois alqueires cada um, foram
vendidos, conforme escritura lavrada no 2.º Tabelionato
de Camanducaia, em 29 de novembro de 1.950.
Um para Andrejs Ceruks, letoniano, residente em Nova Odessa-SP;
o outro, para João Lukas, letoniano, residente na
Capital de São Paulo, pelo valor de cinco mil cruzeiros
cada um.
Em 12-03 de 1.951, vendeu 11 alqueires para Ilsa e
Lisa Grinberg, letonianas, “residentes neste
município”.
Desta data em diante até 1.957, houve várias
transações imobiliárias de Verner para
outros compradores, bem como dos já proprietários
para os novos pioneiros letonianos:
Arvido Leiasmeier em 27-11-1.953, para João Virbuls
em 26-01-1.954, para Lina Vitemberg em 23-11-1.955, para
Krists Abols em 26-10-1.956, para Olga Pauzer em 26-09-1.956,
para Arnards Skujins em 27-07-1.954, para Zelma Stefemberg,
em 10-09-1.956, para o checo Rodolf Mikes em 27-07-1.957
e para o brasileiro Sebastião Bueno da Silva em 20-11-1.956.
O primeiro loteamento foi inscrito no Cartório de
Registro de Imóveis em 10 de julho de 1.955; o segundo,
em 20-10-1.955 e o terceiro em 17-04-1.972.
Texto e pesquisa: Egydio Coelho da Silva
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