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A forma mais correta e objetiva de homenagear Verner Grinberg
é traçar seu perfil biográfico, que,
praticamente, se confunde com a história de Monte
Verde.
Para falar de sua importância histórica, não
há necessidade de adjetivos. Basta contar a trajetória
de sua vida.
Frases que mostram o dinamismo e volume de trabalho que
desenvolveu em várias atividades:
“Até a década de 50, a maioria dos edifícios
de São Paulo utilizou madeira fornecida por mim”;
“A vida inteira pilotei avião e nunca fiz sequer
um pequeno arranhão em sua lataria”.
Sua história
Foto Suely Silva
Foi em meados de 1916, durante a Primeira Guerra Mundial,
que a família Grinberg imigrou para o Brasil e se
instalou numa recente colônia Letã, Varpa,
próxima a Paraguaçu Paulista.
Após se conhecerem na Colônia Varpa, surge
o amor entre o casal e, em 1934 Verner e Emilia casam-se
e resolvem passar a lua de mel em Campos do Jordão.
Encantaram-se o com o clima da Serra da Mantiqueira, com
a presença de muitas araucárias que lembrava
o clima de sua terra natal. Daí a idéia e
a esperança de encontrar um lugar semelhante junto
a Serra da Mantiqueira. Verner ouvira falar dos “Campos
do Jaguary”, clima e vegetação semelhantes
a Campos do Jordão. Esta região também
ficava junto a Serra da Mantiqueira, distante em linha reta
apenas 50 quilômetros de Campos do Jordão,
embora no Estado de Minas Gerais.
Em 1936, Verner e seu pai decidem finalmente conhecer a
tal “Campos do Jaguary”. Levaram dois dias de
viagem para chegar ao local. Tomaram um trem da capital
de São Paulo a Piracaia, dali a Joanópolis
foram de automóvel, e para seguir adiante somente
mesmo em lombo de um burro.
Não havia estrada até o local, somente picadas
entre as montanhas e ali permaneceram a 1500 metros de altitude
num vale que ficava na base do Pico do Selado. Durante três
dias tentaram adquirir terras, mas não havia ninguém
interessado em vendê-las. Para a salvação
dos viajantes já cansados, quando já estavam
regressando, alguém veio correndo atrás dos
Grinbergs, montados em seus burricos, perguntando se estavam
interessados em adquirir alguma gleba.
Esse foi o início de uma fazenda que foi sendo formada
pela família.
Verner pilotou seu avião até chegar perto
dos seus noventa anos de idade.
A exploração da fazenda e os primeiros loteamentos
Em face do interesse de amigos e parentes em residir também
na região, em 29 de novembro de 1.950, vendeu os
dois primeiros terrenos, de dois alqueires cada um, foram
vendidos, conforme escritura lavrada no 2.º Tabelionato
de Camanducaia, conforme pesquisa feita pelo jornal Voz
da Terra e é considerada a data de fundação
de Monte Verde.
Desta data em diante até 1.957, houve várias
transações imobiliárias de Verner para
outros compradores, bem como dos já proprietários
para os novos pioneiros.
Nesta época também, não podemos deixar
de destacar o médico Paulo Yasbek, que muito contribuiu
para o início da comunidade. Inclusive a avenida
Monte Verde tinha o seu nome.
Doação à comunidade
A primeira doação de terreno para ser utilizado
pela comunidade, segundo Verner Grinberg, foi para a Escola
e Parque Florestal. De fato na escritura lavrada em 10-09-1.971,
no 2.º Tabelionato de Camanducaia, consta à
doação de terrenos para o Estado de Minas
Gerais: “O primeiro à instalação
de estabelecimentos escolares e o segundo a conservação
do Parque Florestal”. Consta também da escritura
“que a presente doação é efetivada
em termos de agradecimentos ao Estado de Minas Gerais pela
imediata construção da Estrada Rodoviária,
ligando a Vila de Monte Verde à Rodovia Fernão
Dias”.
A chegada de outros europeus
O aumento constante de loteamentos levou Verner a terminar
com a Fazenda e transformar todas as suas atividades exclusivamente
na venda e administração das terras vendidas
e a serem negociadas. As primeiras compras foram feitas
por elementos da colônia leta de São Paulo.
E logo começaram a chegar outros europeus, principalmente
os alemães e húngaros, transformando a primitiva
fazenda em um vilarejo tipicamente alpino.
A família Grinberg tinha que fazer de tudo, desde
serviços médicos, eletricistas, conselheiro,
professor, construtor, leiteiro, chofer, tratorista etc.
A primeira residência construída em um dos
loteamentos foi do leto, Sr. Krists Abols, que segundo Verner
na época, quem construísse a primeira casa
ganharia um lote de terra. Assim foi e o local escolhido
é onde se acha hoje o Hotel Monte Verde.
Como o número de visitantes aumentava a cada dia
os engenheiros que vinham demarcar as terras não
tinham onde se hospedar, foi construída a primeira
pensão: “Pensão da dona Emilia”.
Mais tarde foi vendido ao casal Streubel (dona Elza e Sr.
Rudi) que transformaram no Hotel Pinus. Outra hospedaria
foi a Pensão da dona Martha, que se dedicou exclusivamente
aos turistas.
Também chegou junto com o Sr. Verner o leto Nikolais
Vitols, um violinista que tocava musica leta nos bares de
Monte Verde. Era naturalista, solteiro e morava com a irmã
e cunhado. Morreu aos 92 anos de idade e deixou sua presença
marcada pelas músicas que tocava em seu violino.
(foto)
Na década de 60 chega a família Hamacher a
Monte Verde. O chefe da família o Sr. Mathias ficou
encantado com o lugar e adquiriu uma porção
de terras a cinco quilômetros da vila e iniciou o
cultivo de maças. A vocação pela terra
do Sr. Hamacher fez nascer vários outros cultivos
como: mel, amoras silvestres e a truta arco-íris.
Diga-se de passagem, foi o primeiro a introduzir a criação
de trutas na região. Hoje o Sr. Mathias além
dos seus cultivos orgânicos é conhecido como
criador de javalis, que até hoje mantém em
sua propriedade.
O despertar da vila
A vida da comunidade era extremamente simples. Ali mesmo
eram confeccionados os pães, a ordenha da vaca, os
pequenos cultivos e criações. Era dona Emilia
quem dava os sinais convencionais da “hora de levantar”,
através de um sino que tocava.
Mais tarde a luz era gerada por uma velha caldeira que acionava
um gerador e que era desligado às 22 horas após
três piscadas antes do corte. Em 1969 finalmente chega
a luz elétrica vinda de Bragança Paulista.
Hoje o “locomóvel” como ficou conhecido,
se encontra exposto na entrada da cidade em frente à
Imobiliária Monte Verde, marcando um pedacinho desta
história.
Hoje Monte Verde é conhecida pela sua beleza natural
das paisagens que a circundam, como o Pico do Selado, Chapéu
do Bispo, Pedra Redonda, Pedra Partida, Pedra da Lua, as
ruínas do Ponciano, as cachoeiras proibidas da Cia
Melhoramentos, os esquilos e beija-flores que vem comer
as migalhas e beber água bem pertinho da gente.
Isso tudo graças à família Grinberg
que veio aportar em solo mineiro nas terras altas da Mantiqueira,
transformando a primitiva “Campos do Jaguary”
nesta maravilhosa arquitetura suíça de clima
tipicamente europeu. S.S.
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