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05-11-2004 - RELIGIÃO
São Francisco de Assis, o padroeiro de Monte Verde

São Francisco de Assis foi o maior e
mais apaixonado ecologista, que já existiu.
Por isso, é o padroeiro de Monte Verde.

por Suely
Veja a história de São Francisco de Assis, o padroeiro de Monte Verde.
Nasceu no início do século XIII, em 1181 ou 1182, na cidade de Assis, na Úmbria, região situada no centro da Itália. Filho de um rico comerciante e de uma senhora de Provença-França, nasceu de prosperidade material, justamente num momento histórico em que se esboçava a ascensão da burguesia, como uma força que não apenas se opunha à nobreza, mas que, aos poucos, a substituiria.
Francisco, em plena juventude, teve que ajudar a refazer as muralhas de sua cidade, bem como experimentar um ano de prisão, na cidade vizinha de Perúgia, onde ficara prisioneiro após um fracassado combate dos assisienses contra os peruginos, no ano de 1.202.
Francisco costumava mostrar-se alegre, expansivo, amante de festas, sonhador e ambicioso, mas esta experiência mudou seu estado de ânimo. Penosa e longa doença colaborou para a mudança interior do jovem. No entanto, ele ainda sonhava sagrar-se cavaleiro. Isso equivalia à conquista do título de nobreza, que o sangue e a família não lhe havia legado. Assim, lançou-se à carreira das armas para alcançar o ambicionado título.
Como as forças do Papa e do Imperador digladiavam-se ao sul da Itália, na Apúlia, e, à frente dos exércitos papais, estava um brilhante general, Gualtério de Briene, Francisco julgou chegada a hora. Armou-se e partiu para a conquista de suas ambições.
Conta a história que Francisco partiu de Assis, muito entusiasmado, entre aplausos dos cidadãos e suspiros das donzelas! Mas não foi longe. Ele e os companheiros pararam na cidade de Espoleto para pernoitar. No momento de retomar a marcha, sintomas de febre impediram a partida de Francisco. Foi então que teve a experiência que mudou os rumos de sua vida. Afirmou ter ouvido a voz de Deus, com quem teve o seguinte diálogo:
• Francisco, o que é mais importante, servir ao Senhor ou servir ao Servo?
• Servir ao Senhor, é claro - respondeu o jovem.
• Então, por que te alistas nas fileiras do servo?
• Senhor, o que queres que eu faça?
• Volta a Assis - lhe diz a voz - e ali te será dito...
Francisco voltou para Assis e, para o espanto de todos, começou a apresentar um comportamento totalmente estranho. Tornou-se sério, taciturno e arredio. Passava os dias em plena natureza, à sombra dos bosques ou na penumbra das grutas, rezando e meditando. As pessoas ficaram inquietas com suas atitudes, especialmente, seu pai, que não entedia tamanha transformação no filho. Desencadeou-se uma luta familiar, com o pai atacando-o e a mãe partindo em sua defesa. Francisco guardava o mistério para si. Até que o pai o convocou perante as autoridades para que prestasse contas de certos gastos e prodigalidades em favor de igrejas pobres. Francisco recusou a autoridade civil e apelou para o bispo. E, diante deste, do seu pai e da multidão, desfez-se de todos os seus pertences e todas as suas vestes e, lançando tudo que possuía aos pés de seu pai, proclamou que de ora em diante só teria o Pai do céu...
O novo modo de vida de Francisco, inicialmente, provocou sensacionalismo. Foi vítima de perseguições e críticas amargas, que causaram sofrimentos profundos.
Foi difícil para os contemporâneos de Francisco aceitar que um jovem que trajara vestes de veludo passasse a andar com um saco de estopa sobre o corpo e uma corda à cintura. Mais difícil ainda aceitar o rei dos banquetes, de escudelas na mão, mendigando sopa pelas ruas. Imagina-se o que se passava na mente dos cidadãos de Assis ao ouvir palavras evangélicas daquela boca que entoara modinhas e serenatas sob a janela das donzelas! Era uma mudança por demais drástica e, indiretamente, provocante.
Mas, aos poucos, seu novo estilo de vida se impôs. Começou a ser visto como alguém que encontrara a Deus e transmitia a sua mensagem.
Francisco era diferente. Conta-se que tinha palavras envolventes e humanas, compreensíveis e contundentes. Obrigava a meditar e até a mudar de vida. Vários homens de seu tempo passaram então a segui-lo.
A DESPEDIDA
Francisco e seus frades espalharam-se pelo Planeta. Assumiram missões em todo o mundo. Tornaram-se embaixadores da paz, eliminando ódios e desavenças, desarmando os homens e buscando anular as classes sociais, que representam o domínio do homem sobre o homem. Francisco compôs o Cântico das Criaturas ou do Irmão Sol, onde coloca a natureza como o espelho de Deus e estabelece novas formas de relacionamento humano.
Este Canto torna-se como que o fundamento de toda a pregação de Francisco e de sua forma de dizer a verdade.
Na época das Cruzadas, ele vai pessoalmente ao Oriente e tenta dialogar com o Sultão, para buscar uma conciliação que as armas dos cristãos e suas táticas de guerra não conseguiram obter.
Em 1224, dois anos antes de sua morte, no monte Alverne, recebe as Chagas de Cristo, marcas vivas e doloridas que o acompanharão até o fim da vida.
Vem a falecer na noite de 3 de outubro de 1226. Conta-se que, enquanto ele expirava, sobre o telhado da pobre cabana, um bando de cotovias entoou seu canto, ainda que a noite envolvesse a natureza. Era a despedida daquelas que Francisco tratara como irmãs...
SÃO FRANCISCO PADROEIRO DA ECOLOGIA
Durante toda a sua vida, São Francisco pregou o respeito e o carinho à natureza. Muitos fatos comprovam o verdadeiro amor que sentia pelo meio-ambiente em geral. Para ele, até as pedras mereciam consideração. Francisco costumava pedir aos vendedores que lhe dessem os cordeiros destinados ao matadouro e que soltassem as rolinhas que iam vender no mercado. Ajudava a aranha a refazer sua teia e colocava à sombra as cigarras que agonizavam com o calor do sol. Conta-se que ajudava inclusive as minhocas que se colocavam perigosamente no caminho e as colocava à margem, para que continuassem a viver. Ao irmão fogo dirige uma súplica fraterna, pouco antes de ser cauterizado nas têmporas pelo ferro incandescente. Diz-se que o fogo mostrou-se benigno e lhe poupou toda a dor. Mas ele também era grato ao fogo, pois, quando, um dia, sua choupana pegou fogo, Francisco não quis que o apagassem, para que devorasse os restos da madeira, pois era este o alimento do irmão fogo. Delicadeza com delicadeza se paga! Queria as ervas crescendo espontâneas no canto da horta ou do jardim, porque livres e filhas de Deus.
Não era apenas mera simpatia poética ou simples consideração natural, nascidas de seu caráter delicado, mas é a expressão de uma experiência que acontecia, porque Francisco olhava além das aparências, para entrar no âmago das realidades. Descobria, então, de onde vinha a criatura, qual o sentido que em si carregava, qual sua função na história.
Tudo, então, tornava-se importante. Não deixava de usar as coisas, pois comia verduras e aves, saboreava as frutas, usava as irmãs árvores para construir sua choupana, aquentava-se ao fogo e lavava-se na água cristalina.
O que não admitia era que o homem se apoderasse das criaturas. Não amava o possessivo “meu, teu, seu, nosso”. Tudo era dado de empréstimo.
A ecologia, pois, não é problema meramente da natureza, mas é um problema antropológico, onde o homem entra profundamente. Quem tem visão clara sobre as criaturas, tem conceitos claros sobre o homem, porque tanto um quanto outro descendem do mesmo Deus. Toda a destruição contra a natureza dirige-se diretamente contra o homem, pois este depende da natureza para sobreviver.
A defesa que Francisco assumiu em prol da natureza é uma dedução lógica de seu modo de pensar as categorias humanas e divinas. Admirável como ele intuiu, naqueles tempos remotos, a dependência do homem em relação à natureza e o perigo que a destruição do meio-ambiente significa para a humanidade. Por isso, Francisco tornou-se o exemplo mais marcante do amigo da natureza, do respeitador da criatura, do irmão do criado.
Oração do Amor de São Francisco de Assis
Senhor,
Fazei-me instrumento de Vossa Paz.
Onde houver ódio, que eu leve o Amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a União.
Onde houver dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a Luz.
Ó, Mestre,
Fazei com que eu procure mais
Consolar, que ser consolado.
Compreender, que ser compreendido.
Amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É Perdoando, que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a Vida Eterna.
Amém.

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