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VOZ DA TERRA
Jornal virtual e impresso, que
circula na cidade de Monte Verde - Camanducaia-MG, Brasil
VOZ DA
TERRA ON LINE EM 12 DE FEVEREIRO DE 2004
Lenda Chinesa para uso de adultos bem intencionados
Não faz muito, me foi segredado por alguns empresários locais, que o final do ano de 2003 foi o pior da última década, em termos de faturamento.
Concomitantemente, a mídia discorria sobre os bons resultados nas vendas natalinas e no turismo interno que se engalanava nas cidades litorâneas para receber a clientela que afluía do interior dos estados e do exterior, de maneira avassalante. Nas cidades serranas de Campos do Jordão, Gramado, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, entre outras, não foi diferente. Todos navegavam em “mar de rosas”, saboreando o néctar doce e inebriante das boas vendas.
Na oportunidade, mais uma vez, insisti em que o fracasso do nosso distrito, em termos turístico, independente da insensibilidade do Governo Municipal para com os nossos reclamos e anseios, está irremediavelmente ligado ao individualismo doentio, a desunião descabida e ao egoísmo ridículo praticados por boa parte da população atuante e, por conseguinte- pensante- que alcança a importância de uma concentração de esforços em torno do ideal maior que é o desenvolvimento ordeiro e fecundo de Monte Verde, edificado com nossas próprias mãos, visando a coletividade que trás no seu seio os menos afortunados, os quais demandam lideranças e acolhimento.
Durante o encontro, recordei aos amigos, uma lenda milenar da cultura Chinesa que tem como título – Céu e inferno – e que relata o seguinte diálogo:
“Naquele tempo, um discípulo perguntou ao mestre – mestre, diga-me, por favor: qual a diferença que existe entre o céu e o inferno? E o mestre respondeu: Ela é muito pequena, contudo acarreta grandes conseqüências para seus habitantes”.
Certa vez eu vi um monte de arroz cozido e preparado com alimento. Ao redor dele, diversos homens se reuniram quase a morrer de inanição. Não podiam se aproximar do monte de arroz, mas possuíam longos palitos de dois a três metros de comprimento. Apanhavam o arroz, mas não conseguiam leva-lo à boca, porque os palitos em suas mãos eram longos demais. E, assim famintos e moribundos, embora juntos, mas solitários, permaneceram curtindo uma fome eterna diante de uma fartura inesgotável. Era o inferno.
Vi outro grande monte de arroz, cozido e preparado como alimento. Ao redor dele, também havia muitos homens. Famintos, mas cheios de saúde e vitalidade. Não podiam se aproximar do monte de arroz, mas também tinham longos palitos de dois a três metros de comprimento. Apanhavam o arroz, mas como não conseguiam leva-lo à própria boca, serviam-se uns aos outros o arroz. E assim conseguiram matar a sua fome insaciável, numa grande e prefeita comunhão fraterna. Juntos e solidários, gozando a excelência dos homens e das coisas. E isso era o céu.
Alguns menos avisados já fantasiaram que a nossa incompetência é fruto da ação de entidades funestas do mundo das trevas que, através de maldição horrenda, nos faz inertes e desunidas. Se este for o caso, lembro que em casos extremos de bruxaria, certos povos do caribe e da África recomendam o Voodoo! Quem sabe para nós, também, pode funcionar?
Eu, particularmente, tenho por certo que boas doses de sinceridade de propósitos, amor ao distrito e a sua gente, perseverança e trabalho coletivo podem resolver o atual desvario.
Francisco
Petersen (Chicão)
Primeira
página de Voz da Terra - Monte Verde-MG
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