VOZ DA TERRA - jornal impresso e virtual de Monte Verde

Diretor: Egydio Coelho da Silva

Opinião de Voz da Terra de Mte. Verde: 2.000

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VOZ DA TERRA: dezembro de 1.999

 

Bom político é quem Administra bem

Quando os políticos fazem só política, isto é, agradam só os companheiros e se esquecem que também são administradores e precisam pensar na cidade como um todo, então perdem a sua principal base eleitoral que são todos os eleitores.

Em Monte Verde, o que vem acontecendo, nos parece, é exatamente isso.

De há muito tempo que a cidade reclama a nomeação de um administrador, que se preocupe somente em administrar a cidade.

Infelizmente, os administradores que foram nomeados para Monte Verde não receberam apoio e poderes suficientes de Camanducaia para executar o seu serviço.

Foi assim com Francisco Petersen (Chicão) e com Benedito Lopes da Silva (Ditão), que não tiveram verba, nem apoio para executar o seu trabalho.

Ambos tiveram os mesmos problemas. Eram pressionados pelos maus políticos. Os da situação ficavam com inveja de seu trabalho e também queriam que o administrador atendesse somente seus cabos eleitorais, nunca os adversários políticos, nem mesmo a cidade como um todo. E os da oposição criticavam tudo e os difamavam porque sempre temem que um bom administrador em Monte Verde venha a aumentar o prestígio do Prefeito. E prefeito com prestígio dificilmente perde eleição.

Sem condições de trabalho, os administradores foram obrigados a pedir exoneração do cargo.

Portanto, está na hora de aproveitar a experiência anterior e o Prefeito se reunir com a comunidade e dar todo apoio ao administrador para que tenha condições de trabalho. Um bom administrador para Monte Verde precisa estar preocupado em atender ao que a comunidade quer. Precisa ter independência e gerenciar a cidade com competência. Mas, o que temos visto é o contrário. O administrador sofre pressão de todos os lados. O Prefeito, homem culto e inteligente, não pode se esquecer de que são poucos votos, que vêm de bajuladores e políticos.

E os votos, que vêm da população, são muitos.  

 

VOZ DA TERRA: JANEIRO DE 2.000

                              

Memória curta e as eleições municipais

Texto de Francisco Petersen

  É da índole do nosso povo, após breve espaço de tempo, pouco ou nada recordar dos descasos, injustiças e fatos que influenciaram,

negativamente, em suas vidas e na coletividade em geral.

Isto é bom? Até certo ponto eu diria que sim, pois nos livra de ódios e desejos de vingança, demonstrando que somos pacíficos e de formação cristã.

Olhando sob outro ângulo, todavia, observa-se que aqueles que nos prejudicaram, movidos pela falta de sensibilidade e escrúpulos, acham-se impunes, visto que não exercemos reação que para eles significa, erroneamente, fraqueza, omissão ou despreparo do povo como um todo.

Justifico minhas palavras, lembrando que dentro em breve, vamos ter nova campanha eleitoral e subsequente eleição para escolher os membros do Executivo e Legislativo municipais, para o próximo quadriênio.

É da nossa total e intransferível responsabilidade escolher os pretendentes de forma correta, independente das agremiações políticas a que pertencem.

Estamos cansados de ver, na televisão e nos jornais, o grande número de maus políticos e a falta de cuidado dos partidos na escolha de candidatos capazes, honrados e realmente interessados no desenvolvimento e bem estar do povo brasileiro. Concordo que não é a maioria, mas está aí a verdade e é incontestável. No nosso caso em particular, gostaria de sugerir aos candidatos em potencial, uma reflexão no sentido de apresentarem planos de trabalho coerentes, com metas definidas e realmente executáveis, deixando de lado as já conhecidas promessas mirabolantes, demagogias vãs e discursos ridículos. Asseguro, de antemão, que a cobrança será constante e inflexível desde o dia da posse, pois não tem mais cabimento subestimar a inteligência e a paciência de nosso povo.

Bem sei que é praxe a escolha do candidato a prefeito recair sobre pessoas residentes e domiciliadas em Camanducaia. Vejo, entretanto, como ponto fundamental e de justiça a seleção de morador de Monte Verde para o cargo de vice-prefeito.

E, eleito, não ocuparia uma posição secundária, como acontece atualmente na maioria dos municípios.

Administraria o distrito de Monte Verde, com poder local.

E verba própria (intransferível para outras atividades fora da área distrital) e substituindo o administrador distrital que, como ficou demonstrado no passado, sempre foi desprezado e excluído da cúpula administrativa.

Advogo este pensamento, visto que Monte Verde contribui com, no mínimo, 50% da arrecadação tributária gerada no Município, o que lhe faculta, de direito e de fato, influir nas decisões municipais, levando em conta que, com este cacife, o Distrito se torna parceiro e não mais dependente do poder.

O candidato e/ou partido que proceder neste sentido, estará se beneficiando de uma votação substancial, pois demonstrará lisura, capacidade e inteligência somadas a uma administração moderna e descentralizada, o que trará para nós, pela primeira vez, a certeza da consideração e do acolhimento dos anseios e necessidade da comunidade. Na hora do voto, vamos deixar a "memória curta" de lado e lembrar daqueles que nos prejudicaram. A eles, vamos dizer NÃO com veemência.

Sejamos livres e coerentes, elegendo os candidatos que nos prestigiam e respeitam. Reitero o que já disse em artigo anterior: o desenvolvimento de Monte Verde já não pode ser retardado, contido ou evitado.

Depende, exclusivamente, de nós e do nosso voto.

 

VOZ DA TERRA: FEVEREIRO DE 2.000

 

A nossa grande culpa

*Texto de Francisco Petersen        

Ultimamente, em diversas oportunidades, o Prefeito de Camanducaia externou o desejo de não se candidatar à reeleição.

A atitude teria um significado e traria uma mensagem que caberia a nós, que o elegemos, saber decifrar. À primeira vista, nos pareceu um gesto bem pensado e de grande coerência.

Quando, através do voto o tornamos Prefeito, o fizemos baseados na sua vida pregressa voltada para a medicina e seu trabalho humanitário, bem como, por sua índole de bom amigo e bom cidadão junto a Comunidade.

Fomos levados pelo entusiasmo e deixamos de considerar um ponto importante: a habilidade natural e o gosto pelo cargo público.

Sabemos que em qualquer atividade, o ser humano é melhor sucedido se, além do conhecimento e. da experiência, demonstrar talento e amor pelo ofício.

Devemos admitir que cometemos um ato egoísta e um erro grosseiro em desviá-lo da sua lida médica para algo que não lhe era próprio: o exercício da administração pública, o que, sem demérito pessoal, nunca o cativou.

0 seu perfil centralizador se fez notar nos primeiros dias da sua gestão, quando se absteve de delegar poderes aos demais membros da equipe e deixou transparecer sua aversão ao diálogo com o povo, empresários e companheiros que lhe deram sustentação em momentos decisivos.

Com base nestes fatos, o imaginamos na solidão do cargo e na frieza do gabinete, atendendo assuntos maçantes e para si, de importância relativa, quando na verdade gostaria de estar na atividade trepidante da Santa Casa, salvando vidas e minorando o sofrimento da população carente, o que, aliás, demonstrou diversas vezes quando desmarcava ou se ausentava de compromissos administrativos para atender a nobre missão de confortar enfermos.

Agora, nos chega a notícia de que voltou atrás na sua decisão e demonstra a intenção de concorrer ao segundo mandato.

Fica a impressão de que se deixou picar pela "mosca azul da vaidade", bajulado por pessoas que o cercam e ocultam o interesse de permanecerem orbitando o universo, sempre cativante, do Poder.

Levando em conta os constantes malogros administrativos,

tais como: a não conclusão da estrada Camanducaia /Monte Verde, o emperramento do parque industrial, a estagnação turística, a falta de melhores serviços médico-hospitalares, escolares e culturais, para citar poucos, nos leva a pressupor que a Comunidade, dificilmente, apoiará a sua decisão através do voto, visto que, via de regra, o Povo aplaude o sucesso; jamais o fracasso...

A dimensão do desalento e da desconfiança nos levam a crer que - mesmo implantando, "a toque de caixa", a conhecida medida eleitoreira do embelezamento superficial do Município e de querer "mostrar serviço" no último ano de mandato para conseguir a simpatia da população - não funciona mais, pois o eleitor de hoje já sabe raciocinar e tira suas próprias conclusões...

É nossa obrigação poupá-lo de mais este sacrifício, reconduzindo-o às suas atividades médicas, de forma exclusiva, para que dê cumprimento ao juramento que prestou por ocasião da sua formatura. .

Só assim, vamos nos redimir da nossa culpa, nossa máxima culpa:

*Francisco Petersen, é aeronauta (aposentado), bacharel em administração, ex-administrador distrital de Monte Verde.

 

VOZ DA TERRA: MARÇO DE 2.000

 

O jovem e o idoso

  *Texto de Francisco Petersen   

A luta é eterna! O jovem "acha" que esta pronto para enfrentar o mundo e o idoso "entende'' que não é bem assim.

Tenho grande simpatia e respeito pela juventude que vai assumindo os destinos deste terceiro milênio.

Percebo, entretanto, que a renovação destes administradores acontece em momento de grande expectativa, alavancada pela tecnologia, globalização financeira, a explosão da informática, as quais, modificam diariamente conceitos e padrões estruturais. Sem duvida necessitamos boa dose de prudência.

A História nos ensina que o bom êxito nos empreendimentos esta ligado diretamente ao passado e à tradição.

Esquecê-los ou negá-los é muito próprio da geração atual, constituindo-se em ato frívolo e irrefletido, pois sem estes referenciais nos tornamos "'presa fácil" neste mundo altamente competitivo.

A transição da administração pública, por sua vez, acontece com grande morosidade, levando em conta a estagnação interiorana, a aversão às modificações e a "lei do menor esforço".

Concordo que a precipitação nunca foi boa conselheira; entretanto, não podemos mais suportar as artimanhas da velha escola do coronelismo, do cabresto e do clientelismo, mantida até nossos dias por aqueles que querem se perpetuar no poder.

É chegado o momento do candidato a cargo público, munido de determinação e cidadania, partir em busca do bem estar e do desenvolvimento da comunidade, trilhando os caminhos do diálogo e da transparência, eliminando os interesses pessoais

ou corporativistas. Entendo que o princípio de um relacionamento fraterno e produtivo entre Governo e Povo, deve estar baseado no respeito mútuo.

Sem ele, a convivência se deteriora e parte inexoravelmente, para o confronto verbal, via de regra inútil e descabido, desenvolvendo o descrédito e a desconfiança.

Neste particular, temos tido o exemplo constante da insensibilidade por parte da nossa atual Administração Municipal que não aplica, nem tão pouco aplicou, nos quatro anos de gestão, nenhum dos princípios da boa administração, deixando claro que se trata de "terreno impróprio" para o plantio e cultivo de idéias comunitárias.

Faz-se imprescindível olharmos para o futuro, nos fixando na formação do novo Governo (executivo e legislativo), o qual nos representará no próximo quatriênio.

Uma vez que o PODER emana do Povo, estamos vivendo o momento perfeito para que levemos aos candidatos a nossa pauta de reivindicações, exigindo concordância e comprometimento, em troca do nosso voto.

Tenho certeza que, assim, teremos candidatos idôneos e idealistas, verdadeiramente: imbuídos do sentimento comunitário.

Vamos inovar. Vamos escolher bons candidatos independente de facções políticas e oriundos de todas faixas etárias, pois bem sabemos que entre o ímpeto do jovem e o comedimento do idoso, a sabedoria nos guiará pelo caminho do equilíbrio e da razão, em beneficio do cidadão e da família, célula mater no desenvolvimento de uma nação.

*Francisco Petersen, é aeronauta (aposentado), bacharel em administração, ex-administrador distrital de Monte Verde.  

 

  VOZ DA TERRA: MAIO DE 2.000

 

A Estrada e as chuvas

*Texto de Francisco Petersen

O Jornal da Cidade em uma de suas últimas edições publicou, em primeira página, entrevista com o Sr. Prefeito, na qual ele teceu considerações concernentes à pavimentação da estrada de Monte Verde, bem como aos fatores, que, na sua opinião, prejudicaram ou paralisaram o andamento dos trabalhos.

Confesso que, à primeira vista, suas declarações despertaram um súbito sentimento de incompreensão, pois embora admitindo que as chuvas contribuíram para o fracasso do empreendimento, é sobejamente sabido por todos que, entre os meses de outubro e março, chove torrencialmente em nossa região, o que torna, senão impraticável, bastante difícil realizar, com sucesso, qualquer obra de pavimentação.

Sem dúvida, faltou planejamento e logística ocasionando perda total ao erário público aplicado na malfadada estrada.

Lamentavelmente, é um fato consumado e irreversível, difícil de ser esquecido pois, por mais uma vez, vimos nossos anseios frustrados.

Não somos contrários a administração Municipal, conforme argumenta o Sr. Prefeito. Como eu, muitos outros discordam dos métodos administrativos, por achá-los ineficientes, retrógrados e arcaicos.

Igualmente, não recordo de ter lido nos jornais da região ou ouvido pronunciamento de terceiros desabonando, pessoal e profissionalmente, a pessoa do Sr. Prefeito.

Em meus artigos mantenho a preocupação de resguardar e enaltecer seu perfil humano e profissional, levando em conta o trabalho meritório que vem desenvolvendo junto à população carente.

Da mesma forma, em todos os artigos publicados, a crítica é diri-

gida somente à administração, trazendo sempre alternativas.

Estas podem não corresponder ao gosto ou interesse do Executivo; entretanto, estou convicto de que são coerentes, o bastante, para beneficiar o Distrito de Monte Verde.

O mesmo comportamento é observado nos demais articulistas quando da publicarão de suas matérias, dando ênfase, exclusivamente, aos desgovernos administrativos, os quais são do domínio público e de fácil constatação.

Quanto às denúncias encaminhadas à Secretaria de Obras do Estado no que tange, à suspeita do desvio de verba mencionado pelo entrevistado, quero crer que tenham partido do Legislativo, o qual, se assim procedeu, o fez de forma legítima e investido do poder outorgado pelos eleitores para questionar, fiscalizar o supervisionar as atividades do Executivo.

Gostaria de lembrar que, num estado de direito democrático, ato desta natureza, se constitui em algo normal e salutar, pois cumpre função precípua de bem verificar o emprego de recursos públicos.

Se nada foi constatado de irregular ou ilícito, ambos os poderes devem prosseguir trabalhando regularmente.

Nada aconteceu de excepcional para alarde, uma vez que somente cumpriram com suas respectivas obrigações, o que e o mínimo que esperamos dos nossos representantes.

Agora e nos próximos meses, como acontece anualmente, temos clima frio e seco, com baixo índice, pluviométrico o que permite refazer e possivelmente terminar a obra até o final do mandato em vigência.

É nossa esperança de que o Executivo faça a sua Parte, desta vez, de forma conclusiva e definitiva, redimindo-se do malogro anterior, mesmo porque, como citado na entrevista, trata-se de uma questão de honra, frente à sua promessa de campanha...

*Francisco Petersen, é aeronauta (aposentado), bacharel

em administração, ex-administrador distrital de Monte Verde.

 

VOZ DA TERRA: JUNHO DE 2.000

  Reeleição não melhora a democracia

A mudança constitucional que permitiu a reeleição, desde prefeito a presidente da República, começa a apresentar seus inconvenientes nas eleições municipais.

Sabemos que Fernando Henrique propôs a reeleição em todos os níveis para facilitar a aprovação de sua própria reeleição, causando um mal muito grande ao aperfeiçoamento do regime democrático em todo o Brasil. Tanto que hoje se fala em rever a reeleição de prefeitos.

Aqui em nosso município não é diferente.

Sabemos que "a democracia não é um bom regime, mas é o melhor que conhecemos", como assinalou sabiamente Winston Churchill.

O que mais vicia o regime é o fato de que nenhum candidato – principalmente a cargo executivo – entenda que deva gastar dinheiro somente de seu bolso para se eleger.

Dessa forma, as promessas e insinuações do "dá cá, toma lá", ou "é dando que se recebe" ou ainda a ameaça velada de perseguição fiscal prevalecem sutil e até ostensivamente, quando se aplica a técnica de arrecadação de fundos para a campanha eleitoral.

Quando o candidato já é prefeito, a tentação é muito grande. Em nosso município, a prática do fisiologismo e do empreguismo com finalidade eleitoral sempre foi uma constante. São favores individuais como internação em hospitais, remédios gratuitos, consultas médicas facilitadas, utilização privilegiada de bens e serviços municipais aos indicados pelos companheiros. Por isso, a comunidade precisa ficar alerta.

Infelizmente, os vereadores, com assento na Câmara Municipal de Camanducaia na quase totalidade, se preocupam somente com a sua reeleição.

E, em face de acharem que o povo só vota em quem lhes faz favor individual, arruma emprego, etc., só se ocupam em resolver o problema de seus cabos eleitorais. O interesse da maioria da população fica relegado a segundo plano.

Daí a preocupação de quase todos em agradar o Prefeito para que atenda a seus pedidos e consigam se reeleger.

Se assim não fosse não poderiam aprovar uma Lei que destina 80 mil reais à Festa do Peão Boiadeiro, tirando a maior parte desse valor da área social.

O fato em si é estranho. Pois, o Prefeito nunca se preocupou com o desenvolvimento turístico do município. Haja vista o seu desinteresse por Monte Verde, totalmente abandonado, com obras inacabadas, ruas esburacas, poluição visual. E a festa do Peão Boadeiro que havia em Monte Verde nunca recebeu ajuda do atual prefeito. O anterior, ao que consta, ajudou com o custo dos banheiros. Os eventos promovidos em Monte Verde para incrementar o turismo nada recebem ou recebem migalhas. Oitenta mil reais é um valor alto, que, com um pouco mais, já se iniciaria um trabalho de saneamento básico em Monte Verde.

Por isso, o fato, além de estranho, é indício de possibilidade de extravio de verba, numa época eleitoral em que os candidatos estão com dificuldade de fazer "o caixa de campanha". É certo que não se pode atribuir a indício a condição de prova.

Todavia, a Câmara Municipal, cuja finalidade principal é fiscalizar o Executivo, deve ficar atenta a respeito dessa elevada soma destinada estranha e ineditamente a um evento não prioritário.

Os vereadores mais idealistas e sérios deveriam se movimentar, alertando o Ministério Público e o Tribunal de Contas para que investiguem se os valores serão realmente aplicados corretamente.

Quanto a serviço prestado gratuitamente a eleitor, talvez seja caso de denúncia junto à Justiça Eleitoral, para que se evite corrupção eleitoral.  

 

VOZ DA TERRA:AGOSTO DE 2.000

  Renovação sim, mas para melhor

  A renovação no cargo de prefeito e nos da Câmara Municipal se apresenta sempre como nova esperança para que haja alguma modificação que ofereça melhoria na administração pública municipal.

Nesta legislatura da Câmara Municipal, que se finda no fim do ano, tivemos coisas positivas.

Não se pode negar que o vereador Rubens Mungioli exerceu seu cargo com entusiasmo e enfrentou a maioria dos vereadores, que está preocupada apenas com a sua reeleição e coloca em segundo plano os interesses reais da população.

Do ponto de vista de Monte Verde, cabe lembrar que tivemos três vereadores: Rúbens Mungioli, como vereador de oposição, se mostrou competente e convicto e sempre defendeu ardorosamente Monte Verde; Estevão Primo, homem simples e de bom caráter, pouco pôde fazer porque era suplente de vereador e ocupava o cargo do vereador José Cláudio, secretário de obras municipal.

Mesmo assim, se  mostrou preocupado com o desenvolvimento turístico em Monte Verde.

O vereador Tato é bastante representativo, mas também quase nada fez porque sua composição com o Prefeito ficou prejudicada, pois, quando qualquer vereador ou auxiliar dos prefeitos pleiteia alguma benfeitoria para Monte Verde já é descartado.

E a técnica é coloca-los na geladeira ou, então, na frigideira.

Dos três vereadores, somente Rúbens se candidata à reeleição e tudo leva a crer que será reeleito. Espera-se, porém, que Monte Verde eleja pelo menos mais dois vereadores, para que a nossa bancada não fique diminuída.

E precisamos de vereadores combativos e competentes já que não vamos ter vice-prefeito na chapa dos candidatos a prefeito como era desejo da população de Monte Verde.

E os problemas do Distrito são muitos. Mais atenção à infraestrutura para dar mais conforto aos turistas, que, em última análise, são quem gera emprego em Monte Verde, em todos os setores direta ou indiretamente. E apenas alguns  políticos de baixo nível não vêem isso.

Também é urgente a preocupação com o saneamento básico, para preservar a saúde da população mais carente.

Além disso, não existe até hoje uma política habitacional, que se proponha a ajudar os pobres a ter moradia.

O que se tem feito é uma política de falso paternalismo, que cadastra interessados, mediante a promessa de que os mais carentes vão ganhar um lote de terreno.

Na realidade, existe a necessidade de cooperativa habitacional, onde os próprios interessados gerenciem as construções, inclusive em sistema de mutirão.

E do poder público se espera que doe ou venda a preço de custo terrenos urbanizados com infra-estrutura. Mas nada disso existe.

Por isso, há o risco de Monte Verde também imitar Campos do Jordão e ter aqui sua favelinha.

Daí a esperança de que, nestas eleições, o eleitorado escolha os mais honestos, competentes e bem intencionados.

Só assim haverá esperança de renovação para melhor.

 

VOZ DA TERRA:OUTUBRO DE 2.000

 

“Me engana que eu gosto...”

Este editorial foi escrito antes da apuração das eleições, que se deram no último dia primeiro de outubro. Portanto, ninguém poderá entender que tenha endereço pessoal.

Por isso, estamos à vontade para analisar a atitude dos candidatos, durante a última campanha eleitoral para prefeito e Câmara dos Vereadores.

Infelizmente, ao longo de décadas, Monte Verde nunca obteve dos prefeitos de Camanducaia a atenção que merece.

Não se sabe se o motivo é a falta de visão político-administrativa, que inibe seu interesse pelo Distrito ou são as pressões de uma elite política míope e de vereadores fisiologistas, que não conseguem perceber a importância do desenvolvimento do turismo como fato gerador de emprego e de riqueza para o município.

Em véspera de eleição, as promessas de todos os candidatos são fáceis e fartas. Até se compreende porque não se pode exigir do candidato tanta virtude, que venha a falar somente aquilo que realmente pode e pretende realizar.

O raciocínio é simples, o candidato pensa: “Se eu não prometer, o outro promete e ganha a eleição”

É pena, porque a campanha política, que deveria ser uma fase de esclarecimento do que se pretende fazer e do que é possível executar, vira apenas um momento de fixação de falsos conceitos e confunde as aspirações do povo.

Esperava-se que os candidatos apontassem caminhos concretos para que Monte Verde venha a ser mais bem administrada. 

Desde as coisas mais simples, como tapar os buracos nas ruas e na estrada, melhor coleta de lixo, embelezamento da entrada da cidade e obras que dêem ordem no trânsito, que contorna o Portal de Entrada da Cidade. 

Projetos mais corajosos que procurassem equacionar os problemas de saúde e habitação das camadas da população mais pobre no Distrito.

Também e principalmente se esperava que os candidatos apresentassem proposta concreta para incrementar o fluxo turístico na região. Infelizmente não se viu isso.

O que se viu foi a promessa fácil de que o candidato é a favor da emancipação de Monte Verde, como se isso dependesse de prefeito e de vereadores. 

Sabemos que isso é, hoje, quase impossível, porque a Constituição Federal exige que o plebiscito se faça na Comarca inteira, envolvendo toda a população interessada e não somente no distrito de Monte Verde, como era antigamente. 

Temos certeza de que a opinião dos candidatos mudava, dependendo do lugar em que estivesse fazendo os contactos políticos, pois, seria menosprezar a inteligência do povo pensar que, quem mora em Camanducaia e São Mateus, é a favor de nossa emancipação.

De qualquer forma, devemos ser tolerantes com os candidatos, porque a cultura do “me engana, que eu gosto” está enraizada e não se conseguirá mudar tão cedo.

Esta tolerância, porém, não nos impede de achar que os candidatos deveriam ser sinceros a ponto de dizer:

“Não cabe ao prefeito discutir emancipação. Isto é assunto da esfera federal. Mas minha intenção é fazer uma administração tão boa no Distrito que, se um dia houver plebiscito, o povo de Monte Verde, com certeza, votará contra”.

  

(FIM DAS NOTÍCIAS)

 

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Hotel pitoresco a 800m do centro. Apt.ºs., calefação no inverno. Piscina, frigobar,  interfone, antena parabólica.  Lareira. Sauna.

 

O Green Village possui uma área de 13mil metros quadrados de araucárias brasilienses. Os apartamentos são aconchegantes, com TV, frigobar. As diárias são com pensão completa, onde é servido um delicioso café da manhã. Um lugar encantador bem pertinho de tudo. Av. Sol Nascente, 711. Reservas: (35)3438-2035 e (11)3258-9898.

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