VOZ DA TERRA
 Jornal impresso e virtual de Monte Verde

Diretor: Egydio Coelho da Silva

 História e geografia de MV: de junho de 2000 a maio de 2003

 

 

RESUMO

Os pioneiros de Monte Verde são Verner Grinberg e sua esposa dona Emília e o sobrenome da família deu o nome à cidade: “grin”, verde, e “berg”, monte. A família Grinberg chegou ao Brasil em 1.913, junto a outros tantos imigrantes da Letônia e foi morar em 1.921 na então recém-fundada Colônia Varpa, próxima à cidade de Paraguaçu Paulista e formada por seus patrícios letões. 

Lá, ao se casar com dona Emília Leismeir, resolve passar sua lua de mel em Campos do Jordão, região parecida com a sua terra natal; o jovem casal se empolga com o clima de montanha e com as paisagens da Serra da Mantiqueira. 

Em 1.936, ouviu falar dos Campos do Jaguari, hoje Monte Verde, lugar de clima e paisagens semelhantes a Campos do Jordão. Imbuído de espírito empreendedor, sobe até o pé da Serra da Mantiqueira em lombo de

 burro, abrindo picada no meio do mato. Em 1.938, ali adquire terras e inicia a formação de uma fazenda. 

Com o passar do tempo, muitos de seus amigos e conhecidos começaram a sentir atração pelo lugar. 

E aos amigos e parentes, geralmente europeus e adeptos de sua religião, a batista, cedia terreno para que construíssem casa e viessem morar na fazenda. 

Em 29 de novembro de 1.950, Verner vendeu os dois primeiros lotes de terreno e, em 10 de julho de 1.955, registrou o primeiro loteamento de parte da fazenda. 

Os primeiros, que mais se interessaram, foram os europeus, que transformaram a antiga fazenda em vilarejo tipicamente alpino.

 

VOZ DA TERRA JUNHO DE 2.000 

Neste ano Monte Verde faria 50 anos de Fundação  

 

Verner Ginberg

 

Dona Emília

   

Fundadores de Monte Verde (fotos de 19-12-99)

 

Monte Verde Começou a nascer em 1.950

Esta é a  primeira matéria sobre a pesquisa que VOZ DA TERRA iniciou para descobrir a data de fundação de Monte Verde.

A data mais provável é 29 de novembro de 1.950, quando Verner Grinberg, fundador da cidade, vendeu os dois primeiros lotes na sua fazenda, que se localizava, onde é hoje  Monte Verde.  

Como Monte Verde ainda não tem oficializada uma data de fundação, VOZ DA TERRA  decidiu iniciar pesquisa para constatar a data mais provável, que caracterizaria historicamente o nascimento de nossa cidade. 

A pesquisa procura localizar a data em que tivesse havido a doação ou aquisição de algum bem imóvel, que passasse a ser de uso comum da comunidade, como é o caminho que a maioria dos historiadores adota para determinar o surgimento de uma cidade. 

Exemplos são a cidade de São Paulo, cuja data de fundação passou a ser quando houve a primeira missa na igreja edificada no Pátio do Colégio e o bairro do Bixiga, em São Paulo, cuja data de fundação foi o lançamento da pedra fundamental de um hospital, que, aliás, jamais veio a ser construído.

  Mas a data de fundação de Monte Verde talvez deva ser pesquisada, seguindo outro caminho.

Verner Grinberg, fundador da cidade, costuma dizer que nossa cidade teria começado a nascer, quando ele resolveu convidar seus amigos e conterrâneos letões para se mudar para sua fazenda, que se localizava onde é hoje Monte Verde.

Isto aconteceu provavelmente em 1.950. Para alguns, Verner praticamente doou terrenos, para outros, que podiam pagar, teria vendido.

Não se pode considerar o nascimento de Monte Verde a data de 27-12-1.937, quando Verner Grinberg (qualificado na escritura como industrial, domiciliado em Quatá-SP)  adquiriu os primeiros cinco alqueires de José Cândido Pereira.

Nem 04-06-1.938, quando adquiriu de José Gomes Fidêncio, mais 56 alqueires, nem mesmo 31-08-1.942, quando, junto com Arvido Leiasmeier, adquiriu mais 36,5 alqueires.

Pois, até aqui se constatava apenas a existência de uma fazenda, com produção apenas para subsistência familiar e talvez algum outro fator econômico, como a plantação de pinus e serraria.

Com certeza, a pesquisa deve se ater ao momento em que Verner começou a vender ou doar parte de suas terras a conterrâneos seus que também professavam sua religião, a Batista.

Os dois primeiros terrenos, de dois alqueires cada um,  foram vendidos, conforme escritura lavrada no 2.º Tabelionato de Camanducaia, em 29 de novembro de 1.950.

Um para Andrejs Ceruks, letoniano, residente em Nova Odessa-SP; o outro, para João Lukas, letoniano, residente na Capital de São Paulo, pelo valor de cinco mil cruzeiros cada um.

Em 12-03 de 1.951, vendeu 11 alqueires  para Ilsa e Lisa Grinberg, letonianas,  “residentes neste município”.

Desta data em diante até 1.957, houve várias transações imobiliárias de Verner para outros compradores, bem como dos já proprietários para os novos pioneiros letonianos:

Arvido Leiasmeier em 27-11-1.953, para João Virbuls em 26-01-1.954, para Lina Vitemberg em 23-11-1.955, para Krists Abols em 26-10-1.956, para Olga Pauzer em 26-09-1.956, para Arnards Skujins em 27-07-1.954, para Zelma Stefemberg, em 10-09-1.956, para o checo Rodolf Mikes em 27-07-1.957 e para o brasileiro Sebastião Bueno da Silva em 20-11-1.956.

O primeiro loteamento foi inscrito no Cartório de Registro de Imóveis em 10 de julho de 1.955; o segundo, em 20-10-1.955 e o terceiro em 17-04-1.972.

 Doação à comunidade

A primeira doação de terreno para ser utilizado pela comunidade, segundo informa  Verner Grinberg (foto à esquerda), foi para a Escola e Parque Florestal.

De fato na escritura lavrada em 10-09-1.971, no 2.º Tabelionato de Camanducaia, consta a doação de terrenos

para o Estado de Minas Gerais:  “o primeiro à instalação de estabelecimentos escolares e o segundo à conservação do Parque Florestal”. Consta também da escritura “que a presente doação é efetivada em termos de agradecimentos ao Estado de Minas Gerais pela imediata construção da Estrada Rodoviária, ligando a Vila de Monte Verde à Rodovia Fernão Dias”.

Embora seja uma data importante do ponto de vista histórico, não pode caracterizar o nascimento de Monte Verde. Em 1.971, Monte Verde já era cidade há bastante tempo. Outra data importante é 14-02-1.977, quando passou para distrito, porém, menos ainda, seria a data de sua fundação.

Pesquisa e texto de Egydio Coelho da Silva

 

VOZ DA TERRA  impressa  DE AGOSTO DE  2.000

 

Verner acha que Monte Verde começou em 29 de novembro de 1.950

 

Após ler a matéria publicada em VOZ DA TERRA, referente à pesquisa junto a cartórios de Camanducaia, para apurar a data mais correta em que Monte Verde nasceu como comunidade, Verner Grinberg, o fundador da cidade, conclui que a melhor data é 29 de novembro de 1.950, quando vendeu os dois primeiros lotes de terreno de sua fazenda. 

As duas primeiras vendas, cujas escrituras foram lavradas em 29-11-1.950, no 2.º Tabelionato de Camanducaia, foram feitas para Andrejs Ceruks e João Lukas. A dúvida maior era se a fundação de Monte Verde teria acontecido quando foi registrado o primeiro loteamento ou quando Verner vendeu os dois primeiros lotes em sua antiga fazenda.

  O primeiro loteamento foi registrado em 10 de julho de 1.955, que é também uma data histórica importante do Distrito e, antes desta pesquisa, mais aprofundada, sempre foi considerada a data mais certa. 

O nome da cidade Monte Verde, conta que surgiu quando do registro do loteamento. 

O mais lógico era registrá-lo com seu nome Verner Grinberg, mas na hora surgiu a idéia de traduzir o sobrenome Grinberg, que quer dizer: grin, verde, e Berg, monte. Daí o nome Monte Verde. 

A informação de que doou inicialmente terrenos para amigos e parentes ele nega. “Sempre vendi os terrenos, vendi baratinho mas vendi”, conta, valendo-se de sua boa memória. Esclarece que fez doação para a construção da Escola, do Parque Florestal e para construção da Igreja católica. Disse que, embora professe a religião, batista entende que deve haver tolerância religiosa. 

E lhe pareceu justo ajudar a construir a igreja católica, “porque a maioria em Monte Verde é católica”. Corrigiu também a informação de que tinha plantação de pinus na antiga fazenda. 

“Tínhamos vacas leiteiras e produzíamos queijos” e esclareceu que uma pequena serraria, quem tinha era seu pai. 

Conta que os parentes, amigos e conhecidos que o visitam em sua fazenda também se encantavam com o clima e o lugar. 

Por isso, lhe pediam que lhes vendesse um pedaço de terra para morar ou construir uma casa de campo. Daí foi amadurecendo a idéia de dar início a venda de lotes e de fundar uma cidadezinha. 

Por isso, que decidiu começar a vender lotes para os seus amigos e parentes e, mais tarde, para quem se interessasse. 

Quando se lhe pergunta quem mais colaborou para que Monte Verde fosse fundada, diz que sua esposa, dona Emília Leiasmeier, contribuiu com 60% e ele com apenas 40%. 

Conta que ela cuidava muito bem da fazenda, criando algumas vacas leiteiras, produzindo queijo, plantando frutas, verduras, legumes, etc. Além disso, preparava muito bem as comidas da fazenda, evidentemente com base na culinária européia, principalmente da Letônia, sua terra natal. 

E estas coisas típicas eram servidas aos visitantes e isto ajudava as pessoas a se entusiasmar e desejar vir morar em Monte Verde. 

Sobre o fato de aeroporto de Monte Verde ter sido construído logo no início da cidade, diz que sempre foi um apaixonado por avião. 

Diz orgulhoso que nunca sofreu um acidente e pilotou até os oitenta anos de idade. “Nunca fiz um pequeno arranhão na lataria do avião”. 

Conta que não recebeu herança, pois meu pai nunca foi rico e não trouxe dinheiro nenhum consigo da Letônia. 

Explica que chegou no Brasil quando ainda menino e seus pais foram morar em Paraguaçu Paulista, na colônia Varpa, composta por letões. A família ganhou um pedaço de terra do Governo e seu pai montou uma pequena serraria e vivia do que colhia no sitio e da serraria. 

Quando adulto, Verner começa a trabalhar com madeira para a construção civil. E teve sucesso e diz orgulhoso. “Muitos edifícios e casas importantes de São Paulo foram construídos com madeira preparada e fornecida por mim”. 

Conta que praticamente não tem disponibilidade financeira, porque tudo que ganhou aplicou em terras. 

Egydio Coelho da Silva

 

VOZ DA TERRA  – 24 DE JANEIRO DE  2.002 

Email recebido

Antônio Sérgio de Oliveira

sergio@autitec.com.br
Autitec Automação Industrial
Comercial
+55 19 3255 4501

 

Caros,
Seria possível vocês fornecerem a posição ( latitude e longitude ) do Centro de Monte Verde.
Obrigado
Infelizmente, não disponho dessa informação. Vou, porém, repassar seu email para todos de minha lista de emails e, se obtiver resposta, lhe retornarei.

Atenciosamente,

Egydio Coelho da Silva

 

VOZ DA TERRA  – 25 DE JANEIRO DE  2.002 

Email recebido

Leticia

Monte Verde

Sr Egidio, c ref a pergunta do s sergio, monte verde está a:

Latitude e longitude de mv 22o 51'S 46o 2'W

 

VOZ DA TERRA  on line – 30 DE JANEIRO DE  2.002

Email recebido

Luiz Avelino

Não sei se vai servir, mas tenho essa informação da minha casa:

S 22.51.428

W 046.01.993

Espero que ajude, essa referencia é da Av. do Sol Nascente, próximo ao restaurante Caipira.

Luiz,

Grato. A sua informação bate com a da Letícia, que já repassei para o interessado e deixei arquivada para responder a outros,

 que consultarem.

Egydio

 

VOZ DA TERRA  (Impressa)– 14 DE FEVEREIRO DE  2.002 

 

Quase 40 anos de história

Em 1963 o sr Werner Grinberg trouxe para a pequena vila um objeto que funcionava a base de água e fogo sendo o responsável em iluminar as poucas residências que existiam em Monte Verde. Hoje, o gerador que fornecia energia para poucos que viviam aqui, está sendo transformado em um monumento histórico exposto na entrada da cidade.  

“A água fervia e formava uma pressão, funcionando como um gerador, beneficiando toda vila levando luz às casas” lembra Benedito Fernandes da Silva, 71 anos, conhecido por todos como Sr.Murilo. Natural de São Francisco Xavier, interior de São Paulo, Sr. Murilo operou a máquina por cinco anos até que chegou a luz elétrica. Ele conta que todos os dias ás cinco da manhã colocava água e fogo na máquina. “De dia funcionava a serraria do sr Werner, e à tarde quando o sol já ia embora o gerador fornecia luz às residências até as dez da noite” lembra ele.

 

Gerador, transformado em Monumento Histórico de MV.

 

Naquele tempo não existiam os eletrodomésticos, alguns tinham o privilégio de ouvir o som do radio da casa do Sr. Werner. A Vila da Fonte ainda não existia e podia-se contar nos dedos as poucas casas.

O Sr. Rudolr Streubrel, 92, que veio aos 20 anos da Alemanha para o Brasil lembra bem daqueles tempos.”Quando começava escurecer dava-se o sinal, piscavam três vezes, era a hora de ligarmos o lampião” lembra o Sr. Rudolr.

O Sr. Rudolr se recorda que apenas existiam meia dúzias de casas na Av. Monte Verde e o hotel Cabeça de Boi. “Lá em cima na vila era tudo capoeira”, diz sr Rudolr se referindo ao mato, que dominava onde é hoje a Vila da Fonte.

Hoje só ficaram as histórias de quem viveu naquela época, Sr. Murilo que é também Sr. Benedito, vive até hoje em Monte Verde com sua esposa Benedita Martins e três filhos e tem muito orgulho do trabalho que prestou.

Em breve o primeiro monumento histórico de Monte Verde será restaurado com pinturas novas e continuará exposto para que novas histórias sejam contadas.

 

VOZ DA TERRA impressa -  MARÇO/ABRIL DE  2.002  

 

Um pouco de história

É só imaginar como era no século XVIII, quando os Bandeirantes vindo de São Paulo, abriram caminho em meio às matas em busca do ouro, criando a pequena vila de Camanducaia (em 1849) e só em 1868, foi criado o município.

“Monte Verde era intocável nessa época, as pessoas tinham medo daqui por existirem muitos animais” conta dona Anita Bortz, cuja família chegou da Rússia a MV por volta de 1930, quando estourou a revolução.

O Sr. Verner Grinberg e sua família chegaram depois, em 1940 para tomar posse da Fazenda Pico do Selado. Não foi à toa que eles se apaixonaram pelo local.

A semelhança com topografia e clima tipicamente europeu, fez nascer o que é hoje MV, só resta consciência em preservar cada vez mais.

É preciso proteger sempre a NATUREZA e até lutar se for preciso, para que ninguém destrua o que é nosso de direito.

 

VOZ DA TERRA ON LINE EM  09 DE JULHO DE  2.002

Pelos Caminhos Do Circuito Serras Verdes do Sul de Minas

Por Suely Silva

As margens da Fernão Dias, que um dia foi apenas uma trilha cortada por índios, forasteiros, imigrantes, aos poucos foi sendo povoada, espalhando-se pela serra da Mantiqueira. A ambição pelo ouro e as riquezas que a terra oferecia, foi fator importante para a formação dos primeiros núcleos colonos e por fim as pequenas cidades do Sul de Minas Gerais.

A fé e o sentimento religioso também foi fator primordial para a formação de muitos vilarejos que se transformaram em seguida em cidade santuário.

Hoje, cada uma com sua beleza, com sua história faz parte do Circuito Serras Verdes do Sul de Minas.Viajar pelo Circuito Serras Verdes, lembrando ser eles: Extrema, Itapeva, Monte Verde, Cambuí, Córrego do Bom Jesus, Estiva, Senador, Bom Repouso, Tocos do Moji, Paraisopolis, Consolação, Gonçalves, Toledo e Moji-Mirim é atravessar a historia e fazer uma viagem de sonhos.De belas paisagens e trilhas pouco conhecidas.

É ter certeza que aqui bem pertinho da gente existem paraísos ainda desconhecidos.

Não levando em conta a falta de estrutura para receber os turistas que virão desbravar esse tesouro sul mineiro, vamos apenas descrever a sua beleza natural e a história de seu povo. O município do Córrego, que ao meu ver é um dos mais belos da nossa região tem uma história inusitada.

Em 1873, saiu de Portugal e atravessou o Atlântico com destino ao pequeno vilarejo, uma imagem do Bom Jesus, sendo notícia nos melhores jornais do Porto na época.

“O Sr. Manuel Soares de Oliveira, hábil escultor desta cidade acaba de expor em público mais um dos seus excelentes trabalhos; É uma imagem do senhor preso, em tamanho natural. Nada falta a bela obra para se tornar admirada.

A imagem reúne uma posição muito natural, grande correção nas formas e musculaturas É a mais bela expressão de dor na sua fisionomia. Encontra-se exposta na oficina do dourador João Teixeira, em breve irá para o Brasil” assim dizia “O Progresso Comercial” do Porto. Esculpida pelo português, Manuel Soares e pintada pelo dourador João Teixeira, é a segunda existente no Brasil e custou na época 400 mil réis. A imagem que por direito pertence ao Córrego, quando foi levada a capela de Cambuí para uma visita, precisou de muita gente para trazê-la a força de volta. Hoje é contado com muito humor por seu Zé Polidoro, 97, um dos moradores mais antigos.

“Eles não queriam devolver, então, nos munimos de facões e porretes e arrancamos o Bom Jesus a força da igreja. A final ele nos pertencia” conta seu Zé orgulhoso pela façanha que viveu na época.

O Córrego, assim como todas as outras cidades é um lugar misterioso e cheio de histórias que até nem posso relatar de tão assustadoras. Em agosto, o Córrego recebe inúmeros romeiros para a festa do Bom Jesus que virou uma tradição, completando quase 130 anos de história.

Outro lugar que vale a pena visitar é o alambique do seu Zé, no Bairro de Lavras, há cinco quilômetros do centro. São quase 400 anos de tradição. Tudo é movido a energia natural. Seu Zé, já na quarta geração de uma família de imigrantes italianos que ali chegaram e construíram o engenho é hoje o herdeiro.

Na sua humildade e perseverança continua fabricando artesanalmente a cachaça, apenas para o consumo dos amigos e para preservar a relíquia da família. Vale a pena conhecer o alambique do seu Zé, mais ainda pela pessoa maravilhosa que ele é suas histórias.

Bom, um fator importante a esclarecer é que a Pedra de São Domingos, um dos picos mais altos da região, também,  ótimo ponto para os futuros turistas, pertence a três municípios, Camanducaia, Paraisopolis e Córrego.

E pronto! Ninguém precisa discutir mais isso! A Pedra é de todos.

Estiva também tem sua importância, por já ter conquistado o primeiro lugar na plantação de morango no país. E também, outra curiosidade de Estiva, é a origem do seu nome. Em 1720, foi preciso construir um estivado de madeira roliça para que as tropas e cargas pudessem passar por ali, na grande maioria eram os forasteiros levando o ouro extraído de Minas Gerais para a capitania de São Paulo. Contam os antigos que o local era um pantanal, pior trecho da estrada, onde tropeiros viviam perdendo seus burros de cargas nos atoleiros existentes por ali. Daí então, originou o nome Estiva. A pequena Estiva hoje, também, diga-se de passagem, sem nenhuma estrutura hoteleira e gastronômica, tem sua beleza nos casarões ainda preservados e as cascatas com inscrições indígenas ainda desconhecidas por muitos. Mas, é de Estiva que vai para todo circuito e, em breve, para todo Brasil, as deliciosas compotas da Alquimia Mineira, feitas com muita dedicação pela moradora Roselene.

Ainda em Estiva, subindo uma serra e passando a fazenda Velha, chegamos a Tocos do Moji, uma cidade, que é exemplo de união política e participação popular. Foi a última cidade do Brasil a ser emancipada, antes da Lei do Serra (em 98), que proibia a criação de municípios. Com muita luta e união, Tocos do Moji é uma cidade independente desde 1997. Uma cidade com apenas quatro mil habitantes, mas posso afirmar que, quando cheguei a Tocos, imaginava uma cidade de menos de dois mil habitantes de tão pequena.

Pequena no tamanho, mas grande é o seu potencial turístico. Inúmeras cachoeiras cortando as estradas e muitos picos para quem curtem a prática de montanhismo.

Ali, na pracinha no centro de Tocos, em meio a uma moderna fonte luminosa, as senhoras fazem seu crochê. Além de transmitirem hospitalidade, é claro, característica própria do mineiro autêntico, elas estão contribuindo um pouquinho com sua arte para o desenvolvimento do município. 

Também, despertando para o turismo, Tocos do Moji não oferece muito em matéria de estrutura como hospedagem e gastronomia. Mas com um povo unido, como pude perceber, e uma administração competente, valendo ressaltar o nome do prefeito: Antônio Rodrigues da Silva, Tocos tem tudo para crescer. Parabéns!

Ainda continuo minha viagem pelos Circuitos Serras Verdes do Sul de Minas, e a “Próxima Parada” pode ser aí na sua cidade. Ainda faltam muitas trilhas a serem enfrentadas graças ao novo programa de turismo, produzido pela Visual Produções de São Paulo, no qual fui carinhosamente convidada pela produtora Leilla Tonin e o diretor Amauri Mauro, que estão me dando a oportunidade de trabalhar como roteirista do programa, que será exibido em breve pela Rede Mundial de Televisão. Até a “Próxima Parada”.

 

VOZ DA TERRA  EM  30 DE AGOSTO DE  2.002

Email recebido 

De:  Walter Monacci

Cidade: Monte Verde-MG  País: Brasil

 

Sr. Egydio,
Segue mail que eu recebi do Silvio Dasser.
Abraços,
WALTER
Subject: ENC: Não é que existe Monte Verde
Oi!
Pessoal
Veja Monte Verde pelo angulo do satélite, as coordenadas são da casa do
comandante Avelino, que fica atrás do aeroporto. 

(S 22.51.428 por W
046.01.993)

Assunto: Não é que existe Monte Verde monte verde.ppt
 Abraços
Silvio Roberto Dasser

Walter,

Grato pela informação, não pelo fato de Monte Verde existir o que eu já sabia, embora seja cartesiano convicto,  mas sim por que tenho tido muita consulta de aviadores sobre a localização de Monte Verde e essa informação poderei repassar a quem solicitar.

Abraços.

Egydio

 

 VOZ DA TERRA IMPRESSA ABRIL DE  2003  

 

“Linda, mas inacessível - Ser ou não ser é questão proposta a Monte Verde”

Suely Silva

Vendo todos aqueles jornais antigos que me foram doados pela condessa Catalin Keglevich (conhecida por dona Muki) onde os grandes veículos de comunicação falavam sobre a pequena Monte Verde, pensei então descrever aqueles bons tempos de sossego para quem vivia aqui...

"Linda, mas inacessível", parece estranho esse título, mas é o que dizia o Jornal, O Globo de São Paulo em 15 de setembro de 1971, sobre a vila de Monte Verde. Muitos que aqui estavam não queriam o desenvolvimento de Monte Verde, apesar do potencial turístico, evidente aos olhos de alguns. A belíssima natureza e o clima ameno despertava os paulistas e ameaçavam a tranqüilidade dos que aqui estavam. Veja na íntegra o que dizia a reportagem:

"Uns querem que ela permaneça como está - fria, solitária, quase inacessível; outros querem transformá-la em local de turismo, aproveitando seu ambiente natural e sua temperatura que, no inverno já chegou a 16 graus abaixo de zero, congelando o lago. A vila é uma verdadeira surpresa para quem enfrenta sua péssima estrada de acesso: são 130 mansões, ocultas pela serra que ladeia a Rodovia Fernão Dias, cercada de florestas de pinheiros, uma aparência suíça reconfortante. Possui três hotéis de boa categoria, uma pista de aviação não homologada pelo DAC. Monte Verde não possui nenhum comércio, serviço de esgoto e outros recursos metropolitanos. Pode-se mesmo dizer que é um acampamento de alto luxo cercado por pinheiros, onde os proprietários governam e cuidam, de sua própria área: trocam lâmpadas do serviço de iluminação elétrica, cuidam da limpeza e da destinação do lixo".

Os que lutavam desde aquela época em transformar Monte Verde em cidade turística se reuniram e procuraram o governador na época (Francelino Pereira), que inclusive foi o único até hoje que pisou em solo monteverdense, segundo conta os antigos.

"Interessados em colocar Monte Verde no panorama turístico nacional, alguns moradores da vila – os hoteleiros e mesmo o fundador - procuraram o Governo mineiro para solicitar melhoria da estrada de acesso.

Existe um projeto, já assinado, de melhorar o piso e eliminar algumas curvas, encurtando em quatro quilômetros o trajeto original, que passa pelos terrenos da Cia Melhoramentos, também arredia à idéia de afluência turística a Monte Verde, pelo possível risco que isto poderia causar às suas reservas de pinheiros. Em agradecimento ao interesse do Governo mineiro, o Sr. Grinberg doou 12 hectares de florestas ao Estado.

Apesar dos protestos dos que querem preservar Monte Verde tal como está, ainda há muita terra à venda, que faz prever um fluxo maior de interessados e, conseqüentemente, a exploração turística do local".

Bem, se você gostou desta reportagem séria e política, espere para ver a próxima de Agosto de 1968 do Suplemento de Turismo do "Estado/SP" nº 111, onde a manchete é "Monte Verde não está no mapa - Se você não é barra limpa não vá". Até lá!

 

VOZ DA TERRA  EM 19 DE ABRIL DE  2003

Email recebido 

De:  Maria Lucia Forlenza

Cidade: Monte Verde - Estado: MG - País: Brasil

 

Apenas a título de informação, creio que em 1.966, o Governador Israel Pinheiro também esteve em Monte Verde...

Tenho uma curiosidade, alguém sabe informar quando é o aniversário de fundação de Monte Verde?

Lúcia,

Monte Verde foi fundada em 29 de novembro de 1.950, portanto, completa este ano 53 anos.

Fiz essa pesquisa em 2000 e entendi que a data de fundação de Monte Verde (a comunidade de Monte Verde) é 29 de novembro de 1.950, quando Verner Grinberg vendeu os dois primeiros  lotes de terra de sua antiga fazenda. 

E nessa data, 29 de novembro de 1.950, as escrituras foram lavradas. Verner me disse que a data é correta, pois, logo que vendeu (não doou como ainda se comenta), a escritura foi lavrada imediatamente. "Vendi baratinho, mas vendi e não fiz doação", afirmou ele.

Essa nossa interpretação da data da fundação de Monte Verde também recebeu a aprovação de Verner Grinberg como a mais provável, pois, é de se acreditar que, quando O primeiro loteamento foi registrado  no Cartório de Registro de Imóveis em 10 de julho de 1.955, já existia uma comunidade em Monte Verde. 

E a nossa pesquisa se baseia na convicção de que o início de uma cidade não deve ser  somente cartorária e ou política, mas sim quando ela começa a existir de fato e não só de direito.

"Os dois primeiros terrenos, de dois alqueires cada um,  foram vendidos, conforme escritura lavrada no 2.º Tabelionato de Camanducaia, em 29 de novembro de 1.950.

Um para Andrejs Ceruks, letoniano, residente em Nova Odessa-SP; o outro, para João Lukas, letoniano, residente na Capital de São Paulo, pelo valor de cinco mil cruzeiros cada um.

Em 12-03 de 1.951, vendeu 11 alqueires  para Ilsa e Lisa Grinberg, letonianas,  “residentes neste município”.   

Veja as reportagens publicadas em Voz da Terra, que estão disponíveis na internet em: http://www.monteverdemg.com.br/historia.htm  e em: Mais história de Monte Verde  

Egydio Coelho da Silva

 

VOZ DA TERRA  EM 23 DE ABRIL DE  2003

Email recebido 

De:  Vicente Forlenza Neto

Cidade: Monte Verde - Estado: MG - País: Brasil

Visita histórica de governador

O Governador Israel Pinheiro esteve em Monte Verde em 1969 por ocasião do inicio dos serviços de fornecimento de energia elétrica pela Cia Bragantina.

Na Ocasião ele desfilou por Monte Verde  tendo o Sr.Verner Grinberg como  condutor em seu possante Chevrolet 1951 Sedan Verde.

Sds

 

VOZ DA TERRA  IMPRESSA  MAIO DE  2003


Se você não é barra limpa, não vá!

Conforme combinado na edição anterior continuo reproduzindo textos de jornais antigos na qual falava-se de Monte Verde, ou seja, do seu início como pólo turístico. Nesta edição estarei reproduzindo o Suplemento de Turismo do Estado de São Paulo, de agosto de 1968 da jornalista Clycie Mendes Carneiro. Veja alguns trechos na íntegra:
“Quem lhe contou sobre este lugar? É a pergunta que ouvirá, invariavelmente, quem chegar a Monte Verde. Porque este lugar não existe no mapa e em nenhum compêndio de geografia ou história. Está entre o céu e a serra. Há vinte anos tudo era mato. Com onça suçuarana, porco do mato, paca, tatu, capivara, lontra e outros bichos de que ainda existem descendentes por lá.
Monte Verde é um pedaço da Europa, de clima europeu e habitado por europeus, em território mineiro.Mas, quem freqüenta é só gente de São Paulo. Quem mora lá e não tem cara de alemão, suíço, holandês, húngaro, austríaco, tem nome ou sotaque. Mas todos são bons brasileiros, a maioria naturalizada. Japonês só tem um, que vai uma vez por semana, levar verduras. Quinhentos habitantes são a população fixa. Dobra ou triplica em certas ocasiões do ano, com os fãs incondicionais que sobem a serra. Quando se fala em estrangeiros, pensa-se logo num povo austero, egoísta, individualista, reservado. Em Monte Verde não é assim. Todos são amigos de todos, formando um só clã, uma só família.
Se você pedir um lápis ou uma caneta em Monte Verde, ninguém terá para lhe emprestar. Se perguntar as horas, dificilmente obterá informação. O dia, os recém chegados podem informar. Nenhuma casa tem antena de televisão e nem televisão sem antena. Rádio, idem. Repórter nunca encontrou o caminho, a não ser um de certa revista carioca que quis cobrar o serviço. A resposta foi que nem de graça lhes interessava tal cobertura. Greves de estudantes, operários e de artistas, bombas terroristas confina-mentos de Jânio, política salarial, tudo fica no sopé da serra e nem os ecos chegam à vila.
Em Monte Verde não há lei, mas paradoxalmente, todos a cumprem com rigor. Não tem delegado, nem soldado. Quiseram mandar um de Camanducaia. Mas os maiorais raciocinaram: como ele não vai ter o que fazer acaba bebendo pinga, fazendo desordem, e a gente tendo de prende-lo E agradeceram o oferecimento. Um inspetor de quarteirão, amador, o açougueiro, é o que existe em matéria de policiamento. No mais cada chefe de família é seu guardião. Só uma vez a cidade se empolgou com uma cena de far-west: quando apareceu um grileiro, bebeu uns tragos e começou a dar tiros de carabina. Pegaram o cara, e devolveram a Camanducaia.
Respeite a tranqüilidade de quem quer sossego e também terá o seu quinhão, portanto se você não é barra limpa não vá a Monte Verde.”
Bom, aproveitando a oportunidade, essa idéia se faz valer até os dias hoje!

VOZ DA TERRA  IMPRESSA  DE NOVEMBRO DE  2003

História de Monte Verde

 

 

Foi em meados de 1913, antes de iniciar a Primeira Guerra Mundial, que a família Grinberg imigrou para o Brasil.  

Verner, em entrevista a VT há um ano atrás, contou que chegou no Brasil quando ainda menino e seus pais foram morar em Paraguaçu Paulista, na colônia Varpa, composta por letões. A família ganhou um pedaço de terra do Governo e seu pai montou uma pequena serraria e vivia do que colhia no sitio e da serraria. 

Quando adulto, Verner começa a trabalhar com madeira para a construção civil. E teve sucesso e diz orgulhoso: “Muitos edifícios e casas importantes de São Paulo foram construídos com madeira preparada e fornecida por mim”. 

Conta que hoje praticamente não tem disponibilidade financeira, porque tudo que ganhou aplicou em terras.

Em 1918 a família segue para Campos com a intenção de tra-balhar na imensa reserva de pinheiros que lá havia. 

Terminando a Primeira Guerra Mundial, em 1921 é fundado um dos mais importantes núcleos da imigração leta no Brasil, a Colônia Varpa, na Alta Sorocabana, que atraiu novamente a família Grin-berg. O fluxo imigratório para esta nova área foi intenso, após a independência da Letônia e, dentro de inúmeros que chegaram, veio à família Leismeier, da qual dona Emilia era integrante.

Após se conhecerem na Colônia Varpa, surge o amor entre o casal e, em 1934, Verner e Emilia casam-se e resolvem passar a lua de mel em Campos do Jordão. Verner sempre falava para Emilia desta região maravilhosa que conhecera na infância com o pai, cheio de araucárias e de clima parecido com sua terra natal. Subiram os dois em lua de mel a Mantiqueira, pelo famoso bondinho, que era o único meio prático para atingir o alto da serra. Manteve, por isso, um sonho de um dia encontrar uma região parecida com as condições de Campos do Jordão. Ainda quando morava em Campos com a família, Verner tinha em sua memória o nome de uma região chamada “Campos do Jaguary”,  na qual ouvira falar que seria de clima e vegetação idêntica de Campos do Jordão.

Em 1936, Verner e seu pai deci-dem finalmente conhecer a tal “Campos do Jaguary”. Levaram dois dias de viagem para chegar ao local. Tomaram um trem da capital a Piracaia, daí a Joanópolis foram de automóvel, e para seguir adiante somente mesmo em lombo de um burro. Não havia estrada até o local, somente picadas entre as montanhas e ali permaneceram a 1500 metros de altitude num vale que ficava na base do Pico do Selado. Durante três dias tentaram adquirir terras, mas não havia ninguém interessado em vendê-las. Para a salvação dos viajantes já cansados, quando já estavam regressando, alguém veio correndo atrás dos Grinbergs, montados em seus burricos, perguntando se estavam interessados em adquirir alguma gleba.

Esse foi o início de uma fazenda que foi sendo formada pela família. Em 1938 seus familiares começam a execução de ranchos para abriga-los do tempo e das chuvas.

Com a explosão da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, praticamente toda a movimentação em torno dessas terras cessaram.  

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O avião passou a fazer parte da vila

Em 1948 Verner possuía um pequeno avião teco-teco, que se encontra até hoje no hangar, com o qual conseguiu aterrisar em suas terras na Mantiqueira num campo improvisado

de 280 metros de comprimento. O avião que passou a fazer parte da nova vida ajudou-os não só na locomoção de sua serraria localizada em Inúbia Paulista, como também na venda a interessados. Verner pilotou seu avião até chegar perto dos seus noventa anos de idade.

Hoje o aeroporto de Monte Verde é considerado o mais alto do pais, com 1600 metros acima do nível do mar e 1.100metros de comprimento com dois angares, sendo freqüentemente visitado por inúmeros aviões e servindo como passeio turísticos pelos arredores da Mantiqueira pelos turistas.

 

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A exploração da fazenda e os primeiros loteamentos

Os dois primeiros terrenos, de dois alqueires cada um, foram vendidos, conforme escritura lavrada no 2º Tabelionato de Camandu-caia, em 29 de novembro de 1.950.

Um para Andrejs Ceruks, letoniano, residente em Nova Odessa-SP; o outro, para João Lukas, letoniano, residente na Capital de São Paulo, pelo valor de cinco mil cruzeiros cada um. Em 12 de março 1951, vendeu 11 alqueires para Ilsa e Lisa Grinberg, ambas letonianas.

 Desta data em diante até 1.957, houve várias transações imobiliárias de Verner para outros compradores, bem como dos já proprietários para os novos pioneiros letonianos:

Arvido Leiasmeier em 27-11-1.953, para João Virbuls em 26-01-1.954, para Lina Vitemberg em 23-11-1.955, para Krists Abols em 26-10-1.956, para Olga Pauzer em 26-09-1.956, para Arnards Skujins em 27-07-1.954, para Zelma Stefemberg, em 10-09-1.956, para o checo Rodolf Mikes em 27-07-1.957 e para o brasileiro Sebastião Bueno da Silva em 20-11-1.956.

O primeiro loteamento foi inscrito no Cartório de Registro de Imóveis em 10 de julho de 1.955; o segundo, em 20-10-1.955 e o terceiro em 17-04-1.972. Nesta época também, não podemos deixar de destacar o médico Paulo Yasbek,  que muito contribuiu para o início da comunidade. Inclusive a avenida Monte Verde tinha o seu nome.

 

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Doação à comunidade

A primeira doação de terreno para ser utilizado pela comunidade, segundo Verner Grinberg, foi para a Escola e Parque Florestal. De fato na escritura lavrada em 10-09-1.971, no 2.º Tabelionato de Camanducaia, consta à doação de terrenos para o Estado de Minas Gerais: “O primeiro à instalação de estabelecimentos escolares e o segundo a conservação do Parque Florestal”. Consta também da escritura “que a presente doação é efetivada em termos de agradecimentos ao Estado de Minas Gerais pela imediata construção da Estrada Rodoviária, ligando a Vila de Monte Verde à Rodovia Fernão Dias”.

Embora seja uma data importante do ponto de vista histórico, não pode caracterizar o nascimento de Monte Verde. Em 1.971, Monte Verde já era cidade há bastante tempo. Outra data importante é 14-02-1.977, quando passou para distrito.

 

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A chegada de outros europeus

O aumento constante de lotea-mentos levou Verner a terminar com a Fazenda e transformar todas as suas atividades exclusivamente na venda e administração das terras vendidas e a serem negociadas.

   

  As primeiras compras foram feitas por elementos da colônia leta de São Paulo. E logo começaram a chegar outros europeus, principalmente os alemães e húngaros, transformando a primitiva fazenda em um vilarejo tipicamente alpino. A família Grinberg tinha que fazer de tudo, desde serviços médicos, eletricistas, conselheiro, professor, construtor, leiteiro, chofer, tratorista etc. A primeira residência construída em um dos loteamentos foi do leto, Sr. Krists Abols, que segundo Verner na época, quem construísse a primeira casa ganharia um lote de terra. Assim foi e o local escolhido é onde se acha hoje o Hotel Monte Verde.

Como o número de visitantes aumentava a cada dia os engenheiros que vinham demarcar as terras não tinham onde se hospedar, foi construída a primeira pensão: “Pensão da dona Emilia”. Mais tarde foi vendido ao casal Streubel (dona Elza e Sr. Rudi) que transformaram no Hotel Pinus. Outra hospedaria foi a Pensão da dona Martha, que se dedicou exclusivamente aos turistas.

Também chegou junto com o sr. Verner o leto  Nikolais Vitols, um violinista que tocava musica leta nos bares de Monte Verde. Era naturalista, solteiro e morava com a irmã e cunhado. Morreu aos 92 anos de idade e deixou sua presença marcada pelas músicas que tocava em seu violino. ( foto)

Na década de 60 chega a família Hamacher a Monte Verde. O chefe da família o Sr. Mathias ficou encantado com o lugar e adquiriu uma porção de terras a cinco quilômetros da vila e iniciou o cultivo de maças. A vocação pela terra do Sr. Hamacher fez nascer vários outros cultivos como: mel, amoras silvestres e a truta arco-íris. Diga-se de passagem, foi o primeiro a introduzir a criação de trutas na região. Hoje o Sr. Mathias além dos seus cultivos orgânicos é conhecido como criador de javalis, que até hoje mantém em sua propriedade.

 

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O despertar da vila

A vida da comunidade era extremamente simples. Ali mesmo eram confeccionados os pães, a ordenha da vaca, os pequenos cultivos e criações. Era dona Emilia quem dava os sinais convencionais da “hora de levantar”, através de um sino que tocava.

Mais tarde a luz era gerada por uma velha caldeira que acionava um gerador e que era desligado às 22 horas após três piscadas antes do corte.  Em 1969 finalmente chega a luz elétrica vinda de Bragança Paulista. Hoje o “locomóvel”  como ficou conhecido, se encontra exposto na entrada da cidade em frente à Imobiliária Monte Verde, marcando um pedacinho desta história.

Hoje Monte Verde é conhecida pela sua beleza natural das paisagens que a circundam, como o Pico do Selado, Chapéu do Bispo, Pedra Redonda, Pedra Partida, Pedra da Lua, as ruínas do Ponciano, as cachoeiras proibidas da Cia Melhoramentos, os esquilos e beija-flores que vem comer as migalhas e beber água bem pertinho da gente. Isso tudo graças à família Grinberg que veio aportar em solo mineiro nas terras altas da Mantiqueira, transformando a primitiva “Campos do Jaguary” nesta maravilhosa arquitetura suíça de clima tipicamente europeu.  

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Depoimento de quem viveu

a história de Monte Verde

 

Emidio Moreira Filho,84

Eu acompanhei o crescimento de Monte Verde. Quando ele (Verner) chegou eu tinha uma serraria e casa de móveis. Eu fiz armário, cadeira e alguns móveis para ele. Ele me contou que estava morando em uma barraca improvisada com a família, até que o homem entregasse o sítio para ele. Me lembro ainda que o Sr. Verner comprou um fordinho velho e veio pela estrada dos cafundós e não deu mais para chegar porque que não havia estrada. Ele teve que deixar o carro lá na estrada.

No município de Camanducaia e no Sul de Minas não tem um homem para fazer o que ele fez. O homem é um empreendedor. Ele me disse na época, “vou fazer daquela terra uma cidade” e fez. Para mim ele é o homem mais importante do nosso município e merece todo o nosso apoio.

 

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Benedito Carlos Neto, 77

Nascido em Bom Jardim, distrito de Camanducaia, o Sr. Benedito veio em 1960 para Monte Verde trabalhar com trator de esteiras para o Sr. Verner. Ajudou a abrir muitas ruas, inclusive a avenida Sol Nascente. Foi o motorista do primeiro ônibus que levava uma vez por dia as pessoas para Camanducaia, que inclusive conta que não tinha uma só pessoa que não passava mal dentro do ônibus.

“Tinha que lavar o ônibus todos os dias, as pessoas tinham medo de entrar, pois nunca tinham visto nada parecido. Quando cheguei havia poucas casas, pastos e matos. Lembro da primeira professora, a dona Cidália. Havia perto do laguinho uma escolinha de madeira. Graças à chegada da família todos os que aqui se encontravam conseguiram trabalho e ajudaram a construir a cidade”. disse ele.

(FIM DAS NOTÍCIAS)

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