Histórico do Jornal Voz da Terra de Monte Verde

 

Desde o início da década de 1970, já insistentemente recebia solicitações para que fizesse circular em Monte Verde um jornal para reivindicar melhorias para a cidade. Jorge Letri, empresário e primeiro presidente da Associação Comercial de Monte Verde, era quem mais me cobrava, dizendo que eu teria facilidade para isso. Ele sabia que eu era sócio de gráfica em São Paulo e tinha um jornal diário na cidade de Assis-SP.
Na verdade, exatamente por eu ter prática em editar jornais regionais, tinha muito conhecimento de como seria difícil manter em circulação veículo, sem estrutura empresarial. O déficit financeiro do jornal, com certeza, seria menos oneroso do que o prejuízo, causado pelo aumento da falta de tempo, que acompanha a todos nós.
Finalmente, não resisti e, em setembro de 1.997, decidi editar o primeiro número do jornal.

Primeira página do primeiro exemplar de Voz da Terra, editado em setembro de 1.997

 

O objetivo do jornal sempre foi o da prática do jornalismo independente e com ampla liberdade, fora disso não vale a pena editar jornal, principalmente numa cidade, como Monte Verde, que cresce rapidamente e os serviços públicos não acompanham esse crescimento. Some-se a isso, o fato de ser um destino turístico, que exige muito investimento municipal e estadual.
Porém, o jornal não conseguia deixar de ser “devezenquandário”. Mesmo assim vinha cumprindo seu papel de ser vigilante na cobrança de melhor atenção a Monte Verde. E graças à jornalista Suely Silva, muito idealista, muita coisa foi feita em termos jornalísticos e sobre pesquisa histórica regional, inclusive anterior à fundação de Monte Verde. Porém, nossa independência política, valeu-lhe perseguição contumaz por parte da administração municipal, a ponto de se ver obrigada a deixar Monte Verde e voltar para sua cidade de Cambuí.

Felizmente, meu sobrinho, jornalista Renato José Coelho da Silva e sua esposa, Soraya Brand, também jornalista, se interessaram em participar do jornal e, graças a ambos, o jornal deixou de ser “devezenquandário” e passou a ter circulação mensal regular a partir de janeiro de 2008.
Não é fácil editar jornal em Monte Verde. Os políticos locais não têm prática de conviver com um jornal independente e, por isso, interpretam as matérias, que são publicadas como oposição ou que teriam objetivos pessoais. As pressões aumentam e tudo fazem para que o jornal deixe de circular.
Porém, a experiência de 47 anos de jornalismo regional me ensinou que isso é natural e leva algum tempo para que os políticos respeitem a independência do veículo e até aprendam que conviver com veículo independente lhes é útil principalmente em termos administrativos, porque realmente levam ao seu conhecimento falhas político-administrativas, que podem ser corrigidas.
Felizmente, o leitor gosta e sabe que a cidade precisa de um jornal independente e nos tem incentivado. O mesmo, porém, não acontece com a maioria dos anunciantes em potencial: não querem atrito com a Prefeitura de Camanducaia e evitam anunciar, o que dificulta que o jornal possa ter periodicidade menor, mais páginas e mais notícias da cidade.
A nossa certeza é a de que o tempo trabalha a nosso favor. Credibilidade não se impõe, se adquire.
A cidade e a população aumentam e, cada vez mais, fica difícil de serem as pessoas pressionadas e coagidas pelos políticos despreparados, que não respeitam e não sabem conviver com uma imprensa regional livre.

Egydio Coelho da Silva, em 02/11/2009.

 

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