VOZ DA TERRA - jornal impresso e virtual de Monte Verde

Diretor: Egydio Coelho da Silva

FAUNA E FLORA NATIVAS: de janeiro de 2.000 a abril de 2.002

26-01-2.000  

Texto do debate, coordenado por Walter Monacci  em Monte Verde

DE: SR. EGYDIO COELHO DA SILVA (PRESIDENTE DA ASSOC. COML. DE MV)

Walter: 

recebi o email abaixo e não sei o que responder. Gostaria que você retransmitisse esta mensagem para todos os colegas debatedores, para saber se alguém tem alguma informação para que eu possa responder ao interessado.

 Grato.

 Egydio

"Endereço: Rua João Batista Pereira 442

Cidade: São Paulo

Estado: SP

EMail: cryptor@zipmail.com.br

Telefone: (0xx11) 865-0484

Eu sou escoteiro e fiz um atividade em monte verde, e eu preciso de uma informação que eu não consegui encontrar ainda: qual é o animal de origem européia que foi introduzido em monte verde e hoje é um animal silvestre ?

Se vocês puderem responder essa questão para mim eu ficarei muito grato.

XXX 

DE: WALTER CUNHA MONACCI

Sr. Egydio,

Embora seja leigo no assunto, imagino eu que o animal silvestre a que o rapaz tenha se referido seja o ESQUILO.

Se alguém tiver a resposta exata, solicitamos encaminhá-la a nós e, se desejar, diretamente ao solicitante.

WALTER

 

VOZ DA TERRA - JUNHO DE 2.000

Fiscalização contra quem não respeita a natureza é rigorosa

Égon Boetcher, agente florestal voluntário em Monte Verde, representante do CODEMA – Conselho do Meio Ambiente Municipal e conselheiro da APA – Área de Proteção Ambiental, conta que existem ainda pessoas, que insistem em caçar passarinhos em Monte Verde.

Informa que já fez algumas apreensões. A última, por exemplo, eram cinco pássaros: um pintassilgo, um coleirinha, um sabiá e dois canários da terra. Foram todos libertados.

Miguel Iliuk, antigo morador de Monte Verde e empreiteiro de obras civis, acha que houve diminuição de pássaros em razão de caçadores.

Conta que há dez anos atrás costumava colocar em bandeja alimentos para os pássaros em sua casa, a qual era bem no centro da cidade.

"Eu contava dezenas de canarinhos da terra que eram atraídos pela quirela de arroz. Agora, no máximo aparecem um ou dois", lamenta.

Égon, porém, entende que o motivo da diminuição de pássaros na cidade não é apenas a caça, mas o próprio crescimento da cidade.

"Aumento populacional, de automóveis circulando, fogos de artifício e outros eventos fazem com que os pássaros prefiram mudar-se para os sítios e área de agricultura", explica.

Geraldo Rodrigues

VOZ DA TERRA 03 ABRIL DE  2.002

Email recebido 

 Dante Bacchi

É com muita satisfação que observamos os pinhões caírem pois neste momento somos lembrados que o outono chegou e depois desta estação vem o inverno enfim nossa temporada.

Araucária arvore símbolo do estado do Paraná é encontrada do estado do Rio Grande Do Sul até o estado do Espírito Santo, arvore nobre que demora a crescer e em contra partida demora centenas de anos para morrer, tem como fruto o Pinhão, fruto este explorado pelo sistema de extrativismo vegetal, Monte Verde todos os anos umas dezenas de crianças e alguns adultos também colhem os frutos gerando com isso uma renda extra para as famílias. 

O cuidado só é necessário na hora de colher pois devesse pegar somente o que cai ao chão toda tentativa de forçar a queda com paus e pedras prejudica e derruba a pinhazinha do ano seguinte que já esta no galho ao lado da pinha madura. 

Por tanto nas festas juninas em que a grande maioria dos brasileiros das regiões sul e sudeste estão consumindo está fruta deliciosa os Monte Verdense estão que não podem nem ouvir falar de pinhão, pois nossa culinária local já prepara varia receitas com o nobre fruto desde meados de abril, já nos deixou a todos satisfeitíssimos.

Pois que venham os turistas o nobre fruto da majestosa araucária está servido nos autos da Mantiqueira a aconchegante Monte Verde.

O Suely  fica aqui minha sugestão de matéria de capa para o jornal. Ficaria lindo em uma edição colorida a foto na capa da araucária e de uma rosácea de pinhões (Cartão Postal que tem no Rest. Mirante).

Entrevista com Sr. Noel Pai do Robson da Quitanda.

Tchau   Dante Junior

 

VOZ DA TERRA impressa -  ABRIL/MAIO  DE  2.002

É em abril que caem os pinhões

Abril é um mês especial para Monte Verde. É nessa época que observamos os pinhões caírem das pinhas. Momento esse, que marca a chegada do outono, avisando que logo vem o inverno e com ele a temporada.

 Esperada por todos morteverdenses, pois é neste período que todo mundo lucra, ou seja, os hotéis, os restaurantes, o comércio em geral e ninguém fica desemprego. E ainda, o pinhão ajuda contribui com o orçamento da casa.

A araucária, responsável em nos presentear com os saborosos pinhões, é uma árvore típica de regiões frias. Considerada árvore símbolo do Rio Grande do Sul. Árvore nobre que, demora dezenas  de anos para crescer. Em Monte Verde existem muitas araucárias nativas, inclusive centenárias. Há registros de araucárias de mais de 300 anos em solo monteverdense.

O pinheiro araucária ou pinheiro de roseta, como é conhecido popularmente, começa a dar frutos depois de adulto. Quando cai uma pinha, a outra já está começando a se formar para o próximo ano. Por isso, atenção. Você não pode forçar a derrubada da pinha, ela deve cair naturalmente, para não prejudicar a formação das rosáceas (onde se concentra todo fruto) do ano seguinte.

A colheita tem início em abril e vai até agosto. É nesta época que vemos, pelas trilhas, o chão forrado de pinhões e muitas criança e adultos fazendo a colheita para vender aos turistas.

O sr. Noel de Góis Maciel trabalha na comercialização do pinhão há 30 anos.                     

Ele compra de muita gente que colhe em toda região, para abastecer o Ceasa de São Paulo, Campinas e Santa Rosa. Segundo ele, Monte Verde é responsável em colher de 500 a 600 sacos de 60 quilos no período de abril a agosto. “Este ano o preço está estável, o saco de 60 quilos deve custar em torno de 18 reais”, conta Sr. Noel.

Época de alta temporada, o pinhão é responsável em aumentar o ganho de muita gente.

É comum ver garotos vendendo o saquinho de pinhão para turistas por um ou dois reais. Levando em conta que a própria natureza  se encarrega de abastecer todas as trilhas, onde forra o chão com os frutos; é lucro garantido para muita gente que só tem o trabalho de colher e ensacar.

O pinhão está presente nas festas juninas das regiões sul e sudeste, enquanto nas grandes cidades se comem as delícias da culinária preparada com o nobre fruto, os monteverdenses já estão satisfeitíssimos comendo desde abril. Com pinhão se podem preparar, pães, farofas, doces, etc.                             

A dona Geralda de Oliveira nos passou uma receita deliciosa de doce de pinhão.

Mas, um aviso para quem colhe indevidamente o pinhão e para quem comete o crime de cortar essa espécie. Não se deve cortar nunca uma araucária, pois ela não irá brotar de novo.O pinheiro macho tem um pólen, que fertiliza a fêmea fazendo formar as pinhas. Muita gente em Monte Verde já cortou o pinheiro macho achando que é responsável em causar diversas alergias. Sem ele as pinhas não se perpetuam.

É no pinheiro que vivem os papagaios e os esquilos; é ele que  alimenta muitos animais como o ouriço, o gado e o cavalo.

Veja a deliciosa receita da dona Geralda:

“Cozinhe bem o pinhão, descasque e passe por um moedor. Depois, acrescente na massa de pinhão, a mesma medida de leite, açúcar  e coco ralado. Por exemplo, se você tiver um prato de massa de pinhão, você coloca um prato de leite, um prato de açúcar e de coco. Coloque numa panela, leve ao fogo até apurar e seu doce de pinhão está pronto.”

 

As pinhas ou rosáceas com os frutos de pinhão

 

VOZ DA TERRA impressa -  ABRIL/MAIO  DE  2.002

 

Nossa flora serrana é formada por uma grande diversidade de plantas, raras, belas, bizarras e curiosas: liquens, musgos e fungos, ervas, arbustos e árvores.

 

Nos cumes áridos vicejam em certas estações do ano espécies de Amarílis, Mandevilias e Orquídeas. Açoitadas pelo forte vento das montanhas, tenuemente enraizadas nas rochas graníticas, sujeitas ao frio intenso dos invernos e expostas ao sol abrasador e à excessiva umidade dos dias de verão. Estas flores nos impressionam com a fantasia de suas formas, cores e perfumes.

É nos declives entre blocos ásperos e irregulares, nas covas e abismos inacessíveis, nos platôs rochosos ou nas encostas dos campos elevados, que iremos encontrar arbustos e trepadeiras como a Mutizia, a Mandevilia e a Quaresmeira. Nelas a beleza e colorido das flores contrastam com o aspecto retorcido dos seus galhos e raízes. Encontra-se em Monte Verde centena de espécies vegetais dificilmente encontradas em outros locais, exceto no caso das plantas chamadas de cosmopolitas, que têm o planeta como seu habitat, surgindo espontaneamente onde o clima e o solo sejam compatíveis com seus hábitos vegetativos.

Nossas flores foram introduzidas em trabalhos de paisagismo e jardinagem fora de Monte Verdes e assim propagadas para muitos países do mundo. Tornaram-se objeto de cobiça e comércio pelos cultivadores de plantas exóticas na Europa e Estados Unidos. Nem nos Alpes, nos Andes ou no Himalaia, podem ser vistas plantas tão variadas e interessantes como nas partes altas dos maciços da Mantiqueira.

Em especial nos meses do verão nossas plantas florescem de forma encantadora, sob as chuvas copiosas da estação, formando verdadeiros jardins encantados, tal a profusão de suas variedades. Elas harmonizam com a sutileza de sua presença as energias primordiais do meio no qual vivemos.

Resta ressaltar que nossas flores são um tesouro, que é patrimônio da humanidade, não devendo ser colhidas sob nenhum pretexto, sendo protegidas por lei de preservação ambiental.

Roberto Comenale

Fitoterapeuta, pesquisador de plantas medicinais e fundador do sistema produtor de essências vibracional Sol Nascente de Monte Verde.Fitoterapia e Terapia Vibracional com Essências Florais e Elixires de Cristais

Av Sol Nascente, 1754

Monte Verde.

Telefone: 3438-1372